Tateamos orações
Morremos há muito em nós
Mas ainda seguimos de mãos postas
Seguimos contritos na dor
De nossos joelhos
Cantamos essa dor
Por ser herança de vida
Caminhamos juntos
Juntos nos beijamos
Arranhamos a nudez
Ardemos isolados
Como arde a dor da morte
Isolados como a saudade
Tateamos orações
Quando arriscamos ruas
E palavras
Tateamos mais ainda
Quando nos buscamos
E nos encontramos ausentes
Pois desaprendemos a procurar
Morremos há muito em nós
Quando navegamos
Alí naquele barco
Remando juntos os mesmos músculos
Morremos há muito em nós
Pois não nos vemos
Quando perseguimos carrocéis.
Roberto Corrêa Gomes, um dia desses
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