Luzes do amor
Vejo as luzes da cidade de minha janela.
Qual delas ilumina você agora?
Em qual vagalume da noite você brilha?
Penso eu, reflexo de janela que há em mim.
Sou fresta acesa que reluz lá fora.
Aberta à noite que é chama ardente,
queimando em incenso de jasmin.
Aroma do calor de minha pele em espera,
na espreita da luz que está em ti.
Mas tantas brilham enquanto as vejo.
Que uma a uma eu busco com ardor.
E quanto mais nelas te procuro,
mais me confundo, pois me perco no amor.
(Roberto Corrêa Gomes)
Feux de l'amour
Je vois les lumières de la ville de ma fenêtre.
Pour qui vous sont éclairés?
Dans laquelle vagalume de la nuit vous briller?
Je pense, reflet de la fenêtre qui est en moi.
Je suis une ouverture qui brille dehors.
Ouvert la nuit que est le feu,
brûlage de l'encens dans gontxo.
Arôme de la chaleur de ma peau d'attente,
à regarder la lumière qui est en vous.
Mais je vois plusieurs d'entre elles brillent.
Que je cherche un par un avec passion.
Et plus je essayez de les cherche vous,
Ils me confondent plus,
parce que je suis perdu dans l'amour.
Tradução livre:
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domingo, 12 de setembro de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Texto de Encerramento do Evento de 3 anos do acidente do Voo TAMJJ3054
Tributo à Perseverança
Teimosos são esses nossos corações,
por ora errantes, por ora descompassados,
as vezes obsessivos, mas sempre,
por todos os nossos amores perdidos,
sempre, sempre, sempre,
persistentes e perseverantes.
Eis a grandeza dos corações que insistem:
A Perseverança que os torna firmes e sublimes,
mesmo perante as inconstâncias e as maldades.
Coração tenaz que ruge diante das injustiças,
ergue bandeiras, grita palavras de ordem,
clama, reclama, protesta, cerra fileiras.
Coração que não carrega em sí somente o tempero da valentia,
vai mais além, pois persevera!
Coração que não traz em sí apenas a virtude da coragem ou da bravura,
vai mais além, pois persevera!
Coração tenaz que brada contra a ignorância!
Não teme as pás de moinhos corrompidos,
nem as asas do descaso e da ganância,
que estremecem e dominam os fracos,
pois persevera!
Coração tenaz que abraça a Verdade
e faz de seu pulsar a superação.
Coração que une, reune e vence suas deficiências.
Exército de corações que não teme,
não desiste, resiste, pois persevera!
Eis a grandeza de nossos corações,
Eis nosso legado, nossa herança de fé:
A Perseverança de um coração tenaz,
que persegue sonhos sem desistir,
tem o brilho reluzente das estrelas
e faz do amor à Vida o seu pulsar.
Uma homenagem a todos aqueles que há 36 meses fazem da Afavitam um Exército de Corações que nunca desiste, pois são tenazes.
Roberto Corrêa Gomes
Teimosos são esses nossos corações,
por ora errantes, por ora descompassados,
as vezes obsessivos, mas sempre,
por todos os nossos amores perdidos,
sempre, sempre, sempre,
persistentes e perseverantes.
Eis a grandeza dos corações que insistem:
A Perseverança que os torna firmes e sublimes,
mesmo perante as inconstâncias e as maldades.
Coração tenaz que ruge diante das injustiças,
ergue bandeiras, grita palavras de ordem,
clama, reclama, protesta, cerra fileiras.
Coração que não carrega em sí somente o tempero da valentia,
vai mais além, pois persevera!
Coração que não traz em sí apenas a virtude da coragem ou da bravura,
vai mais além, pois persevera!
Coração tenaz que brada contra a ignorância!
Não teme as pás de moinhos corrompidos,
nem as asas do descaso e da ganância,
que estremecem e dominam os fracos,
pois persevera!
Coração tenaz que abraça a Verdade
e faz de seu pulsar a superação.
Coração que une, reune e vence suas deficiências.
Exército de corações que não teme,
não desiste, resiste, pois persevera!
Eis a grandeza de nossos corações,
Eis nosso legado, nossa herança de fé:
A Perseverança de um coração tenaz,
que persegue sonhos sem desistir,
tem o brilho reluzente das estrelas
e faz do amor à Vida o seu pulsar.
Uma homenagem a todos aqueles que há 36 meses fazem da Afavitam um Exército de Corações que nunca desiste, pois são tenazes.
Roberto Corrêa Gomes
sábado, 18 de julho de 2009
Poema Abertura do Ato Ecumênico de 17/07/09
Na imensidão da Saudade
A saudade é um turbilhão de emoções errantes, fugidias.
A saudade é a foto de quem já partiu ainda sorrindo para nós na estante.
A saudade é a dor de arrumar o quarto de um filho que já morreu,
de remexer suas gavetas, encontrar desenhos, bilhetes, fios de cabelos,
guardar seus brinquedos e dobrar suas roupas ainda com o seu perfume.
A saudade é ter medo de esquecer o som da voz de quem se foi.
É tentar reter na imaginação o aroma e a maciez da pele da pessoa amada.
É não saber vencer a dor das horas e dias que ficaram mais longos e mais vazios.
A saudade é tentar encontrar sinais e significados em cada milímetro da alma.
A saudade é imaginar um futuro que não mais virá, pois falta um pedaço.
A saudade é uma dor silenciosa que não se cala e que nada preenche.
A saudade é fechar os olhos e ansiar por um beijo e um abraço.
É percorrer os cômodos da casa em busca de quem não está mais presente.
A saudade é não conter as lágrimas ao ouvir o som de uma música.
É estar à beira de um abismo, chamar por um nome, e não ouvir o eco.
A saudade é o tormento de ver arrancada uma página da vida.
É estar submerso em uma imensidão de desejos e sonhos agora distantes.
A saudade é a cadeira vazia na mesa posta para o jantar.
É a cama de casal que agora ficou imensa por estar pela metade.
É a porta fechada de um quarto vazio, não mais habitado.
É procurar pelas ruas no rosto anônimo a face de quem partiu.
A saudade é a dor de nunca mais pode chamar pela mãe ou pelo pai.
A saudade é a dor de dizer meus filhos, quando sabemos que falta um.
É ter que seguir em frente com a sensação eterna de que alguém ficou para trás.
A saudade é simplesmente não poder mais saber como seriam as coisas.
A saudade é olhar para o céu e ver milhões de estrelas reluzentes
e tentar imaginar em qual delas habita a pessoa amada.
A saudade é fotografar na alma todos os momentos, todos os instantes,
para que nunca parte de nós que se foi, caia no esquecimento.
(Roberto Corrêa Gomes – 17/07/09)
A saudade é um turbilhão de emoções errantes, fugidias.
A saudade é a foto de quem já partiu ainda sorrindo para nós na estante.
A saudade é a dor de arrumar o quarto de um filho que já morreu,
de remexer suas gavetas, encontrar desenhos, bilhetes, fios de cabelos,
guardar seus brinquedos e dobrar suas roupas ainda com o seu perfume.
A saudade é ter medo de esquecer o som da voz de quem se foi.
É tentar reter na imaginação o aroma e a maciez da pele da pessoa amada.
É não saber vencer a dor das horas e dias que ficaram mais longos e mais vazios.
A saudade é tentar encontrar sinais e significados em cada milímetro da alma.
A saudade é imaginar um futuro que não mais virá, pois falta um pedaço.
A saudade é uma dor silenciosa que não se cala e que nada preenche.
A saudade é fechar os olhos e ansiar por um beijo e um abraço.
É percorrer os cômodos da casa em busca de quem não está mais presente.
A saudade é não conter as lágrimas ao ouvir o som de uma música.
É estar à beira de um abismo, chamar por um nome, e não ouvir o eco.
A saudade é o tormento de ver arrancada uma página da vida.
É estar submerso em uma imensidão de desejos e sonhos agora distantes.
A saudade é a cadeira vazia na mesa posta para o jantar.
É a cama de casal que agora ficou imensa por estar pela metade.
É a porta fechada de um quarto vazio, não mais habitado.
É procurar pelas ruas no rosto anônimo a face de quem partiu.
A saudade é a dor de nunca mais pode chamar pela mãe ou pelo pai.
A saudade é a dor de dizer meus filhos, quando sabemos que falta um.
É ter que seguir em frente com a sensação eterna de que alguém ficou para trás.
A saudade é simplesmente não poder mais saber como seriam as coisas.
A saudade é olhar para o céu e ver milhões de estrelas reluzentes
e tentar imaginar em qual delas habita a pessoa amada.
A saudade é fotografar na alma todos os momentos, todos os instantes,
para que nunca parte de nós que se foi, caia no esquecimento.
(Roberto Corrêa Gomes – 17/07/09)
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Sustenido
Há uma nota suspensa no ar,
Subtônica, sustenida, muda.
Perdidas na noite silenciosa
As palavras se esvaíram.
Não há som, nem claves, nem colchetes.
As palavras se perderam.
O poema se tornou errante, fugídio.
Nem versos, nem métricas, nem nada.
Um adágio lento como as horas,
Arrastando-se num tic-tac eterno.
Apenas o silêncio zumbindo em um
Som agudo suspenso nos ouvidos.
Um dó contido no peito.
Um ré povoando a mente.
Um mi sustenido no ar.
A poesia sumiu.
Perdeu-se em letras frias.
Perdeu-se na noite profunda.
Uma partitura em branco.
Uma folha apenas. Não há música.
Apenas um menino de olhos grandes,
Assustados, adivinhando a escuridão.
Este menino sou eu.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 08/02/09
Há uma nota suspensa no ar,
Subtônica, sustenida, muda.
Perdidas na noite silenciosa
As palavras se esvaíram.
Não há som, nem claves, nem colchetes.
As palavras se perderam.
O poema se tornou errante, fugídio.
Nem versos, nem métricas, nem nada.
Um adágio lento como as horas,
Arrastando-se num tic-tac eterno.
Apenas o silêncio zumbindo em um
Som agudo suspenso nos ouvidos.
Um dó contido no peito.
Um ré povoando a mente.
Um mi sustenido no ar.
A poesia sumiu.
Perdeu-se em letras frias.
Perdeu-se na noite profunda.
Uma partitura em branco.
Uma folha apenas. Não há música.
Apenas um menino de olhos grandes,
Assustados, adivinhando a escuridão.
Este menino sou eu.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 08/02/09
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Renascer sob um céu de Estrelas
Re-nascer, nascer de novo, tornar a ser um Ser. Não importa que seja você
criança, jovem, adulto ou velho. Renasça.
Não importa se roubaram todas as flores do seu jardim.
Elas renascerão um dia em você, nem que seja em sua alma,
na saudade ou nas lembranças das paisagens do seu ser.
Não importa quem é a sua crença suprema,
nem se você acredita em alguma.
Renasça na Fé em você mesmo!
Seja o nome que for Yahweh/Javé (Jeová), Adonai, Deus,
Allá, Jesus, Buda, Maomé, Krishna, Oxalá, Tupã, ou nenhum deles.
Renasça em sí a cada dia, a cada momento,
a cada instante da Recriação do seu Existir.
Não importa sua forma de amar, mas que saudável seja,
mas que sincera seja, e Renasça sempre nesse amor, sem amarras e sem preconceitos.
Simplifique.
Abrace com emoção, com paixão, quem você deseja abraçar.
Seja seu pai, sua mãe, esposa, esposo, amor, filhos, netos, irmãos,
amigos, ou um simples passante.
Se aqueles que você deseja tanto abraçar já tiverem partido,
abrace-os com o coração, abrace-os com a alma, mas deixe-os partir,
conduzidos pelas Mãos Divinas, para que Renasçam eternamente
como Estrelas de Diamantes. É chegado a hora. Deixemo-los ir...
Deixe morrer tudo aquilo que é negativo em você,
ilumine-se com nossas Estrelas e acredite que você pode Re-Viver.
Pois, Viver é Renascer a cada dia. É Reconstruir-se! É Re-tornar-a-Ser!
Mas lembre-se mesmo que você possa se sentir frágil,
como se sua alma estivesse apagada,
haverá sempre um céu de Estrelas sobre você, iluminando o seu caminhar.
Não foi por que partiram que deixaram de Ser.
Apenas Renasceram para uma nova vida, uma nova história, para uma nova dimensão.
E saiba que Renascer será o melhor presente que você poderá dar a você mesmo.
Não desista. Não esmoreça. Não fuja. Não se abata. Não deixe de lutar! Não perca a Fé!
Renasça a cada dia sua força interior, pois dentro de nós há também
um Céu de Estrelas a nos iluminar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 11/12/2008
Re-nascer, nascer de novo, tornar a ser um Ser. Não importa que seja você
criança, jovem, adulto ou velho. Renasça.
Não importa se roubaram todas as flores do seu jardim.
Elas renascerão um dia em você, nem que seja em sua alma,
na saudade ou nas lembranças das paisagens do seu ser.
Não importa quem é a sua crença suprema,
nem se você acredita em alguma.
Renasça na Fé em você mesmo!
Seja o nome que for Yahweh/Javé (Jeová), Adonai, Deus,
Allá, Jesus, Buda, Maomé, Krishna, Oxalá, Tupã, ou nenhum deles.
Renasça em sí a cada dia, a cada momento,
a cada instante da Recriação do seu Existir.
Não importa sua forma de amar, mas que saudável seja,
mas que sincera seja, e Renasça sempre nesse amor, sem amarras e sem preconceitos.
Simplifique.
Abrace com emoção, com paixão, quem você deseja abraçar.
Seja seu pai, sua mãe, esposa, esposo, amor, filhos, netos, irmãos,
amigos, ou um simples passante.
Se aqueles que você deseja tanto abraçar já tiverem partido,
abrace-os com o coração, abrace-os com a alma, mas deixe-os partir,
conduzidos pelas Mãos Divinas, para que Renasçam eternamente
como Estrelas de Diamantes. É chegado a hora. Deixemo-los ir...
Deixe morrer tudo aquilo que é negativo em você,
ilumine-se com nossas Estrelas e acredite que você pode Re-Viver.
Pois, Viver é Renascer a cada dia. É Reconstruir-se! É Re-tornar-a-Ser!
Mas lembre-se mesmo que você possa se sentir frágil,
como se sua alma estivesse apagada,
haverá sempre um céu de Estrelas sobre você, iluminando o seu caminhar.
Não foi por que partiram que deixaram de Ser.
Apenas Renasceram para uma nova vida, uma nova história, para uma nova dimensão.
E saiba que Renascer será o melhor presente que você poderá dar a você mesmo.
Não desista. Não esmoreça. Não fuja. Não se abata. Não deixe de lutar! Não perca a Fé!
Renasça a cada dia sua força interior, pois dentro de nós há também
um Céu de Estrelas a nos iluminar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 11/12/2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Pêndulos da Vida
Ponteiros errantes que não param
Em horas fugidias sorrateiras.
Olho-as de soslaio enquanto passam
Em trilhos e estradas sem beiras.
Trem de vidas em remendos cerzidas.
Almas em rios caudalosos, viscosos.
Almas em mosaicos desconstruídos.
Olho-as horas em mim transpassadas.
Oscilantes nos pêndulos dos destinos,
Da balança cósmica que rege as vidas,
De karmas em causas, acasos e efeitos.
Sob os olhos vítreos fixos de Anúbis.
Supremo Regente da Boa Lei,
Que cerra as portas aos indignos.
Mas abre-as a pedintes e mendigos,
Que oram em preces de arrependimento.
A vida só tem mistérios…
É um balançar de incertezas,
Em um jogo sem fim de espirais e caracóis
Dos oito caminhos lunares de Krishna.
Pêndulos eternos de muitas eras.
Essências contruídas em 108 existências,
Das 108 voltas bramânicas sagradas,
Ciclo das 108 contas do colar de Buda.
A vida só tem mistérios…
Mistérios perseguidos em avataras
Milagres das encarnações de Vishnu.
Sinais de deuses, profetas e apóstolos.
Olho-as em vidas passadas em mim,
Corpo de carne, artérias, ossos e medos.
Fragmentos de signos e mistérios frágeis,
Perdidos em algum chão no reino de Deus.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 08/10/08
Ponteiros errantes que não param
Em horas fugidias sorrateiras.
Olho-as de soslaio enquanto passam
Em trilhos e estradas sem beiras.
Trem de vidas em remendos cerzidas.
Almas em rios caudalosos, viscosos.
Almas em mosaicos desconstruídos.
Olho-as horas em mim transpassadas.
Oscilantes nos pêndulos dos destinos,
Da balança cósmica que rege as vidas,
De karmas em causas, acasos e efeitos.
Sob os olhos vítreos fixos de Anúbis.
Supremo Regente da Boa Lei,
Que cerra as portas aos indignos.
Mas abre-as a pedintes e mendigos,
Que oram em preces de arrependimento.
A vida só tem mistérios…
É um balançar de incertezas,
Em um jogo sem fim de espirais e caracóis
Dos oito caminhos lunares de Krishna.
Pêndulos eternos de muitas eras.
Essências contruídas em 108 existências,
Das 108 voltas bramânicas sagradas,
Ciclo das 108 contas do colar de Buda.
A vida só tem mistérios…
Mistérios perseguidos em avataras
Milagres das encarnações de Vishnu.
Sinais de deuses, profetas e apóstolos.
Olho-as em vidas passadas em mim,
Corpo de carne, artérias, ossos e medos.
Fragmentos de signos e mistérios frágeis,
Perdidos em algum chão no reino de Deus.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 08/10/08
sábado, 18 de outubro de 2008
Céu de Girassóis
Um dia um clarão roubou nossas flores.
Luz intensa que, inesperada, ofuscou
a vida e deixou árido o nosso jardim.
Foram-se a rosa, o lírio, a azaléia, o jasmim.
Sumiram besouros, borboletas, abelhas.
Nenhum ramo, nenhuma pétala restou.
Mas a noite e o dia deram voltas.
E o mundo girou para um outro dia,
para uma nova criação, um recomeço.
Da saudade nasceu o cravo.
Da paixão recriou-se a rosa.
Da altivez renasceu a azaléia.
Da delicadeza fez-se um lírio.
Do suspiro emanou o jasmim.
Da dignidade brotou um girassol.
Com o girassol voltaram as borboletas,
os besouros, as abelhas, os beija-flores.
E de seu néctar outros girassóis nasceram,
iluminando campos, pradarias e jardins.
Amarelos aos milhares cultivando a vida,
olhando o céu, juntos perseguindo o sol.
Belos e altivos como anjos de auréolas em flor.
E os campos ficaram repletos de aromas,
de sons, de cores, de criaturas de Deus.
Brilhantes e reluzentes como estrelas,
em um eterno e magnífico céu de girassóis.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/10/08
Um dia um clarão roubou nossas flores.
Luz intensa que, inesperada, ofuscou
a vida e deixou árido o nosso jardim.
Foram-se a rosa, o lírio, a azaléia, o jasmim.
Sumiram besouros, borboletas, abelhas.
Nenhum ramo, nenhuma pétala restou.
Mas a noite e o dia deram voltas.
E o mundo girou para um outro dia,
para uma nova criação, um recomeço.
Da saudade nasceu o cravo.
Da paixão recriou-se a rosa.
Da altivez renasceu a azaléia.
Da delicadeza fez-se um lírio.
Do suspiro emanou o jasmim.
Da dignidade brotou um girassol.
Com o girassol voltaram as borboletas,
os besouros, as abelhas, os beija-flores.
E de seu néctar outros girassóis nasceram,
iluminando campos, pradarias e jardins.
Amarelos aos milhares cultivando a vida,
olhando o céu, juntos perseguindo o sol.
Belos e altivos como anjos de auréolas em flor.
E os campos ficaram repletos de aromas,
de sons, de cores, de criaturas de Deus.
Brilhantes e reluzentes como estrelas,
em um eterno e magnífico céu de girassóis.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/10/08
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
El abrazo tuyo
-----------------------------------------------
O teu abraço
Mais nada queria eu senão o teu abraço.
Que forte, intenso, sereno, me abarcasse,
Ocupando em mim todo o meu espaço,
Meus problemas, meus sonhos, minh’alma.
Braços ternos acalmando os meus sentidos.
Braços longos, de desejos imaginários,
Que me transportassem no tempo, no ar,
Arrebatando-me das profundezas de mim,
Para uma imensidão oceânica de silêncios,
Zunidos de conchas suaves em meus ouvidos.
Braços com tez de algas macias, sedosas,
Colados em mim como uma segunda pele.
Escudos amorosos afastando meus medos,
Meus receios, meus pesadelos sem fim.
Envolvendo-me, assim, mágicos e eternos,
Até o meu mais completo adormecer.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 05/10/08
Para José y Gabriela
Nada más deseaba sino un abrazo tuyo.
Que fuerte, intenso, sereno, me abarcase,
Ocupando en mí todo mis espacios,
Mis problemas, mis sueños, mi alma.
Brazos con ternura calmando mis sentidos.
Brazos largos, de deseos imaginarios,
Que me transportasen en el tiempo, en el aire,
Arrebatandome en toda mi profundidad,
Hasta una inmensidad de un océano de silencios,
Sonidos de conchas suaves en mis oídos.
Brazos con tez de algas huecas, sedosas,
Agarrados en mí como una segunda piel.
Escudos amorosos alejando mis miedos,
Mis recelos, mis pesadillas sinfin.
Envólviendome, así, mágicos y eternos,
Hasta el mi más completo adormecer.
Roberto Corrêa Gomes
(Traducción - Español en 11/10/08
Revisión: José Urdapilleta)
Nada más deseaba sino un abrazo tuyo.
Que fuerte, intenso, sereno, me abarcase,
Ocupando en mí todo mis espacios,
Mis problemas, mis sueños, mi alma.
Brazos con ternura calmando mis sentidos.
Brazos largos, de deseos imaginarios,
Que me transportasen en el tiempo, en el aire,
Arrebatandome en toda mi profundidad,
Hasta una inmensidad de un océano de silencios,
Sonidos de conchas suaves en mis oídos.
Brazos con tez de algas huecas, sedosas,
Agarrados en mí como una segunda piel.
Escudos amorosos alejando mis miedos,
Mis recelos, mis pesadillas sinfin.
Envólviendome, así, mágicos y eternos,
Hasta el mi más completo adormecer.
Roberto Corrêa Gomes
(Traducción - Español en 11/10/08
Revisión: José Urdapilleta)
-----------------------------------------------
O teu abraço
Mais nada queria eu senão o teu abraço.
Que forte, intenso, sereno, me abarcasse,
Ocupando em mim todo o meu espaço,
Meus problemas, meus sonhos, minh’alma.
Braços ternos acalmando os meus sentidos.
Braços longos, de desejos imaginários,
Que me transportassem no tempo, no ar,
Arrebatando-me das profundezas de mim,
Para uma imensidão oceânica de silêncios,
Zunidos de conchas suaves em meus ouvidos.
Braços com tez de algas macias, sedosas,
Colados em mim como uma segunda pele.
Escudos amorosos afastando meus medos,
Meus receios, meus pesadelos sem fim.
Envolvendo-me, assim, mágicos e eternos,
Até o meu mais completo adormecer.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 05/10/08
sábado, 4 de outubro de 2008
Luzes do amor
Vejo as luzes da cidade de minha janela.
Qual delas ilumina você agora?
Em qual vagalume da noite você brilha?
Penso eu, reflexo de janela que há em mim.
Sou fresta acesa que reluz lá fora.
Aberta à noite que é chama ardente,
queimando em incenso de jasmin.
Aroma do calor de minha pele em espera,
na espreita da luz que está em ti.
Mas tantas brilham enquanto as vejo.
Que uma a uma eu busco com ardor.
E quanto mais nelas te procuro,
mais me confundo, pois me perco no amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 04/10/08
Vejo as luzes da cidade de minha janela.
Qual delas ilumina você agora?
Em qual vagalume da noite você brilha?
Penso eu, reflexo de janela que há em mim.
Sou fresta acesa que reluz lá fora.
Aberta à noite que é chama ardente,
queimando em incenso de jasmin.
Aroma do calor de minha pele em espera,
na espreita da luz que está em ti.
Mas tantas brilham enquanto as vejo.
Que uma a uma eu busco com ardor.
E quanto mais nelas te procuro,
mais me confundo, pois me perco no amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 04/10/08
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Espelho
Eu não sou imagem de um só
no espelho em que me revelo.
Sou fragmentos de vidros, em um nó
de mil reflexos emaranhados.
Facetas de prismas e névoas
de difusas miragens de meu rosto.
Mas há alguém por de trás deste espelho
que não mostro nem a mim mesmo.
Nele sou um outro que não eu.
Um outro de olhar inquiridor.
Um outro de olhar reprimido.
Um outro que busca quem sou.
Mas ainda atrás deste espelho, oculto,
há mais alguém entre eu e o outro.
Um rosto que é mistério e vulto.
Ele também não sabe quem é ele
na imagem embaçada entre eu e o outro.
Para ele, sou côncavo e o outro convexo.
Mas somos apenas raios luminosos
de trajetórias angulares de nosso reflexo.
Na verdade não queremos respostas.
Apenas nos miramos uns aos outros.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 03/10/08
Eu não sou imagem de um só
no espelho em que me revelo.
Sou fragmentos de vidros, em um nó
de mil reflexos emaranhados.
Facetas de prismas e névoas
de difusas miragens de meu rosto.
Mas há alguém por de trás deste espelho
que não mostro nem a mim mesmo.
Nele sou um outro que não eu.
Um outro de olhar inquiridor.
Um outro de olhar reprimido.
Um outro que busca quem sou.
Mas ainda atrás deste espelho, oculto,
há mais alguém entre eu e o outro.
Um rosto que é mistério e vulto.
Ele também não sabe quem é ele
na imagem embaçada entre eu e o outro.
Para ele, sou côncavo e o outro convexo.
Mas somos apenas raios luminosos
de trajetórias angulares de nosso reflexo.
Na verdade não queremos respostas.
Apenas nos miramos uns aos outros.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 03/10/08
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Estrelas cintilam no céu
Estrela-mãe.
Estrela-Sol.
Estrela viva.
Estrela-do-mar.
Estrela da sorte.
Estrela de Belém,
Estrela-guia, anunciação de Reis Magos viajantes.
Estrela divina nascida em manjedoura.
Estrela de Davi.
Estrela d’Alva, Vênus, vésper do entardecer,
Estrela-primeira no céu de anil.
Estrela do Pastor.
Estrelas no firmamento do Brasil.
Estrela-cadente, meteoro que não é estrela.
Estrelas, células de galáxias errantes sempre a crescer,
Pilares da Criação nos milagres de Deus.
Estrelas-d’água.
Estrelas de cinco pontas,
Estrelas dos Orixás, de Oxalá e Yemanjá,
Estrelas iluminadas vindas de Aruanda.
Estrelas que giram em nebulosas sem fim.
Estrela que pelo universo anda.
Estrelas vermelhas japonesas.
Estrelas européias em círculo de união.
Estrela corpo celeste de plasma luminoso.
Estrelas de neutrinos em ventos estelares soprados.
Estrelas em inúmeros trilhões de pontos de luz.
Estrelas encravadas na memória e da vida roubadas
Estrelas nascentes luzídias, duas em almas-mater-uterina interrompidas.
Estrelas da saudade, 199 eternas e em intensas cintilâncias,
Estrelas multicoloridas em corações tatuadas.
Estrelas que, agora calmas, cintilam no céu,
Iluminando para sempre as nossas almas.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 25/09/08
Estrela-mãe.
Estrela-Sol.
Estrela viva.
Estrela-do-mar.
Estrela da sorte.
Estrela de Belém,
Estrela-guia, anunciação de Reis Magos viajantes.
Estrela divina nascida em manjedoura.
Estrela de Davi.
Estrela d’Alva, Vênus, vésper do entardecer,
Estrela-primeira no céu de anil.
Estrela do Pastor.
Estrelas no firmamento do Brasil.
Estrela-cadente, meteoro que não é estrela.
Estrelas, células de galáxias errantes sempre a crescer,
Pilares da Criação nos milagres de Deus.
Estrelas-d’água.
Estrelas de cinco pontas,
Estrelas dos Orixás, de Oxalá e Yemanjá,
Estrelas iluminadas vindas de Aruanda.
Estrelas que giram em nebulosas sem fim.
Estrela que pelo universo anda.
Estrelas vermelhas japonesas.
Estrelas européias em círculo de união.
Estrela corpo celeste de plasma luminoso.
Estrelas de neutrinos em ventos estelares soprados.
Estrelas em inúmeros trilhões de pontos de luz.
Estrelas encravadas na memória e da vida roubadas
Estrelas nascentes luzídias, duas em almas-mater-uterina interrompidas.
Estrelas da saudade, 199 eternas e em intensas cintilâncias,
Estrelas multicoloridas em corações tatuadas.
Estrelas que, agora calmas, cintilam no céu,
Iluminando para sempre as nossas almas.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 25/09/08
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Ura nihongo de
(Versos em japonês)
(Versos em japonês)
Para Edu Sato, “ore no otootosan”
Pensei em escrever versos em japonês.
Mas como seria isto para um brasileiro,
um burajiru-jin, que não é nissei, nem é sansei?
Difícil! Muzukashii! Não sei.
Fukuzatsu! Complicado! Pensei.
Japonês é mesmo complicado sim!
Fukuzatsu! Outra vez, repetindo!
Tem tantos us, tantos ans, tantos is!
Se é gentílico, é um nihon-jin comedido.
Se é a língua ou idioma, é nihongo e pronto.
Para dizer amor é econômico, diz ai
Quando é o verbo amar é ai suru
Para juntar tudo e dizer meu amor,
As meninas falam watashi no ai,
Os meninos confessam ore no ai!
Quando é amigo, é nakama ou tomodachi.
Quando é irmão, é oniisan ou ani
Se for mais novo é otootosan
Se ele for um anjo é tenshi!
Se ele for ruim, então, é warui!
Já a palavra mãe, é sempre santidade.
É quase nome de orixá.
Pra dizer mãe, nihon-jin fala haha oya!
Parece saudação, nome de oração.
Quando fala do fundo da alma, que é shin.
É shinkou, é pura fé saída do coração,
No mais profundo sentimento, kimochi!
Mas nihon-jin sabe ser agradável, kimochi no ii.
Mesmo quando forte (tsuyoi), e com coragem (yuuki),
É tranqüilo (raku), faz messuras, mas não se dobra de fato.
Fixa nos lábios um sorriso bonito (bishoo kawaii),
Sorriso doce (amai) como açúcar, que em japonês é satoo!
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 22/09/08
domingo, 21 de setembro de 2008
Filho do mar
Você emergiu das águas ondulantes
Corpo elástico de olhos tesos
Mãos imensas de arpão e anzóis
Passos firmes, curso de nau ao vento
Coxas rasgando ondas obedientes
Como filho prateado, estrela do mar,
que sai do ventre de Janaína/Iemanjá.
Virei grão de areia esparramada
Congelei olhos fisgados fixos indefesos.
Quis ser concha, quis ser peixe
já preso em sua rede de fibras e músculos.
Ser gota generosa escorrendo de seu corpo.
Em nada acreditei se não em miragem,
zombaria, feitiço de Inaê que te fez
um odu mágico trazido dos rochedos
Magia de prata da imensidão do mar.
Para a definitiva imersão em mim.
Figura etérea para o meu mergulhar.
Submerso fiquei eu, guelras sem ar arfantes
Olhos ocultos em óculos seguindo o seu andar
Pajeando cada pegada marcada na areia
Perdido em cada centímetro seu
tatuado profundamente em mim para sempre.
Até seres apenas um vulto no horizonte,
deixando para trás eu e a brisa do mar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre – RS - 10/09/08
Você emergiu das águas ondulantes
Corpo elástico de olhos tesos
Mãos imensas de arpão e anzóis
Passos firmes, curso de nau ao vento
Coxas rasgando ondas obedientes
Como filho prateado, estrela do mar,
que sai do ventre de Janaína/Iemanjá.
Virei grão de areia esparramada
Congelei olhos fisgados fixos indefesos.
Quis ser concha, quis ser peixe
já preso em sua rede de fibras e músculos.
Ser gota generosa escorrendo de seu corpo.
Em nada acreditei se não em miragem,
zombaria, feitiço de Inaê que te fez
um odu mágico trazido dos rochedos
Magia de prata da imensidão do mar.
Para a definitiva imersão em mim.
Figura etérea para o meu mergulhar.
Submerso fiquei eu, guelras sem ar arfantes
Olhos ocultos em óculos seguindo o seu andar
Pajeando cada pegada marcada na areia
Perdido em cada centímetro seu
tatuado profundamente em mim para sempre.
Até seres apenas um vulto no horizonte,
deixando para trás eu e a brisa do mar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre – RS - 10/09/08
Fotopoema
Para Silvana Stumpf
O olhar se posiciona atento,
ora errante, ora fixado.
Fica astuto, compenetrado
esperando o exato momento,
o derradeiro segundo de armar
retinas e lentes que se contraem
cúmplices, instantâneas,
no milésimo preciso de tudo captar.
Click! Pronto! Está feito!
Da imagem nasce um poema.
O dedo comprimindo o disparador
capta o instante eternizado.
Um rosto anônimo a esmo, ermo,
ora belo, ora rugas em tez marcadas.
Uma folha outonal caindo
que na foto tem o seu flutuar congelado.
Um reflexo de luz em águas agora
definitivamente calmas, imóveis.
Um beijo pelo amor roubado.
A ira de uma paixão desenfreada.
Um quadro nem tão belo do cotidiano,
por vezes mortal, por vez cruel, porém real,
agora imutável em imagem irreversível,
do ato, do objeto não mais fugaz e do humano.
A pose matemática exata geométrica
da modelo em incansáveis ângulos.
O aconchego da união familiar
perpetuando em porta-retratos cada geração,
em ascendências e descendências de
suas fotografias de afetos genéticos,
que preenchem estantes, entre livros
e velas em castiçais.
Tudo em pura poesia de imagens,
Ora tristes, ora felizes, ora radiantes.
Por vezes arquitetadas e detalhadas,
por vezes ocasionais, acaso de instantes.
Poemas de imagens captadas por
dedos, olhos, lentes e a mais pura
poesia de absoluta inspiração.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Para Silvana Stumpf
O olhar se posiciona atento,
ora errante, ora fixado.
Fica astuto, compenetrado
esperando o exato momento,
o derradeiro segundo de armar
retinas e lentes que se contraem
cúmplices, instantâneas,
no milésimo preciso de tudo captar.
Click! Pronto! Está feito!
Da imagem nasce um poema.
O dedo comprimindo o disparador
capta o instante eternizado.
Um rosto anônimo a esmo, ermo,
ora belo, ora rugas em tez marcadas.
Uma folha outonal caindo
que na foto tem o seu flutuar congelado.
Um reflexo de luz em águas agora
definitivamente calmas, imóveis.
Um beijo pelo amor roubado.
A ira de uma paixão desenfreada.
Um quadro nem tão belo do cotidiano,
por vezes mortal, por vez cruel, porém real,
agora imutável em imagem irreversível,
do ato, do objeto não mais fugaz e do humano.
A pose matemática exata geométrica
da modelo em incansáveis ângulos.
O aconchego da união familiar
perpetuando em porta-retratos cada geração,
em ascendências e descendências de
suas fotografias de afetos genéticos,
que preenchem estantes, entre livros
e velas em castiçais.
Tudo em pura poesia de imagens,
Ora tristes, ora felizes, ora radiantes.
Por vezes arquitetadas e detalhadas,
por vezes ocasionais, acaso de instantes.
Poemas de imagens captadas por
dedos, olhos, lentes e a mais pura
poesia de absoluta inspiração.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Sim e Não
Para a Baby (Cristina Petry)
Entre o Sim e o Não,
eu prefiro o Não!
Ele tem ressonância.
É quase um mantra!
Repitam comigo:
Nnnããããããooo…
Ãããããooouuuuuu…
Viram?
É o som do universo,
mesmo que seja o inverso do Sim.
O Sim é chinfrim. É concordância,
submissão, entrega.
Rangido: iiiiiimmmm…
Som de telefone, campanhia chata.
O Não é um desafio.
É contestação.
Rima com anão,
mas é forte, grande e másculo,
senão seria machim e não machão.
O Sim faz dos amantes unidos para sempre.
Mas quem rompe alianças e separa é o Não!
É o fim do que era para ser um eterno Sim!
O Sim facilita. Concede. Dá.
Mas é meio anti-viagra.
Até rola uma boa transa.
Mas é o Não que dá mais tesão,
pois é tentação!
O Mais ou Menos é bipolar.
Nem sabe se é Sim,
Nem sabe se é Não!
Pensa que é os dois,
mas, quando muito é assim, assim…
Ora é um, ora é outro, num só!
É um bêbado na contra-mão!
O Sim alivia. Perdoa.
É libertação de confissão.
O Não, não. Faz com que doa.
Educa. Impõem limitação.
E quando brabo rima com palavrão.
O Sim não, deixa a coisa solta, meio atoa,
se faz de surdo para fingir que é Não.
Se eu prefiro o Sim?
É claro que Não!
“Então? Não é?”
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Para a Baby (Cristina Petry)
Entre o Sim e o Não,
eu prefiro o Não!
Ele tem ressonância.
É quase um mantra!
Repitam comigo:
Nnnããããããooo…
Ãããããooouuuuuu…
Viram?
É o som do universo,
mesmo que seja o inverso do Sim.
O Sim é chinfrim. É concordância,
submissão, entrega.
Rangido: iiiiiimmmm…
Som de telefone, campanhia chata.
O Não é um desafio.
É contestação.
Rima com anão,
mas é forte, grande e másculo,
senão seria machim e não machão.
O Sim faz dos amantes unidos para sempre.
Mas quem rompe alianças e separa é o Não!
É o fim do que era para ser um eterno Sim!
O Sim facilita. Concede. Dá.
Mas é meio anti-viagra.
Até rola uma boa transa.
Mas é o Não que dá mais tesão,
pois é tentação!
O Mais ou Menos é bipolar.
Nem sabe se é Sim,
Nem sabe se é Não!
Pensa que é os dois,
mas, quando muito é assim, assim…
Ora é um, ora é outro, num só!
É um bêbado na contra-mão!
O Sim alivia. Perdoa.
É libertação de confissão.
O Não, não. Faz com que doa.
Educa. Impõem limitação.
E quando brabo rima com palavrão.
O Sim não, deixa a coisa solta, meio atoa,
se faz de surdo para fingir que é Não.
Se eu prefiro o Sim?
É claro que Não!
“Então? Não é?”
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Palavras não ditas
É quando o silêncio persiste,
Ruidoso, incômodo e constante,
Que tudo pode virar o avesso do amor.
Corações antes num só coração
Se perdem em um vácuo errante
Das palavras perdidas por não ditas,
Sentimentos de feridas inexplicáveis.
Crescentes, enovelando-se confusas,
Pelas sílabas não pronunciadas,
De emoções incertas, difusas, retraídas.
Palavras amorosas fazem os amantes.
Palavras agregam, palavras separam.
Palavras abençoam, palavras condenam.
Palavras seduzem, palavras eternizam.
Quando ferinas magoam, mas dizem.
Revolvem emoções, que mesmo difusas,
Carregam acertos e desacertos.
Mas e as palavras não ditas?
São setas de alvo incerto, ignorado.
Desconstróem o amor sem desnudar.
Corróem o fascínio do não mistério.
Palavras não ditas distanciam.
Rompem laços, que mesmo tênues,
Envolvem e tecem o ato de amar.
Palavra não dita é veneno sem sabor,
Sem aroma, sem limites e sem cor.
Mudez corrosiva que dissolve
Toda a ternura que um dia se
Traduziu na simples palavra amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 12/09/08
É quando o silêncio persiste,
Ruidoso, incômodo e constante,
Que tudo pode virar o avesso do amor.
Corações antes num só coração
Se perdem em um vácuo errante
Das palavras perdidas por não ditas,
Sentimentos de feridas inexplicáveis.
Crescentes, enovelando-se confusas,
Pelas sílabas não pronunciadas,
De emoções incertas, difusas, retraídas.
Palavras amorosas fazem os amantes.
Palavras agregam, palavras separam.
Palavras abençoam, palavras condenam.
Palavras seduzem, palavras eternizam.
Quando ferinas magoam, mas dizem.
Revolvem emoções, que mesmo difusas,
Carregam acertos e desacertos.
Mas e as palavras não ditas?
São setas de alvo incerto, ignorado.
Desconstróem o amor sem desnudar.
Corróem o fascínio do não mistério.
Palavras não ditas distanciam.
Rompem laços, que mesmo tênues,
Envolvem e tecem o ato de amar.
Palavra não dita é veneno sem sabor,
Sem aroma, sem limites e sem cor.
Mudez corrosiva que dissolve
Toda a ternura que um dia se
Traduziu na simples palavra amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 12/09/08
Éramos assim
A cada passo havia um espaço de sonhos perfeitos.
A cada espaço havia um turbilhão de conflitos afins.
A cada solidão um sorriso, um gesto,
E a inviolável decisão de permanecermos assim.
Havia o beijo e o aconchego de um colo adormecido,
A indefinível insegurança de um sentimento oculto.
A beleza e o toque do corpo, a nossa vibração em
Cada centímetro de pele decifrado. Devorado.
O arrepio…
A cada outro dia a lembrança do teu cheiro, dos teus lábios,
E a memória encravada do teu corpo agora distante.
A ausência, um vazio no tempo, sensação de perda
Corroendo a pele, apertando o coração,
Percorrendo veias, células e sinapses ardentes.
A cada rompimento uma nova solidão.
O desaconchego…
A cada recomeçar um reinício do fim.
Pois éramos assim: cíclicos, miragens, reflexos de almas
De emoções incandescentes, reversas e convexas.
Assim seguiamos nos amando cada um do seu jeito.
Até que tudo se desconstruísse e o que era tão presente
Tornava-se um passado imperfeito de revivências.
Estávamos novamente desconectados. Desconvexos.
E os olhos que destilassem o que não mais havia de lágrimas.
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
A cada passo havia um espaço de sonhos perfeitos.
A cada espaço havia um turbilhão de conflitos afins.
A cada solidão um sorriso, um gesto,
E a inviolável decisão de permanecermos assim.
Havia o beijo e o aconchego de um colo adormecido,
A indefinível insegurança de um sentimento oculto.
A beleza e o toque do corpo, a nossa vibração em
Cada centímetro de pele decifrado. Devorado.
O arrepio…
A cada outro dia a lembrança do teu cheiro, dos teus lábios,
E a memória encravada do teu corpo agora distante.
A ausência, um vazio no tempo, sensação de perda
Corroendo a pele, apertando o coração,
Percorrendo veias, células e sinapses ardentes.
A cada rompimento uma nova solidão.
O desaconchego…
A cada recomeçar um reinício do fim.
Pois éramos assim: cíclicos, miragens, reflexos de almas
De emoções incandescentes, reversas e convexas.
Assim seguiamos nos amando cada um do seu jeito.
Até que tudo se desconstruísse e o que era tão presente
Tornava-se um passado imperfeito de revivências.
Estávamos novamente desconectados. Desconvexos.
E os olhos que destilassem o que não mais havia de lágrimas.
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
Puta
Puta que pariu
Puta que não viu
Puta que não riu
Puta que não veio
Puta que não dá o seio
Puta que arreceio
Puta palavrão
Puta macarrão
Puta pé de baião
Puta que não trabalha
Puta que não espalha
Puta como tu atrapalha
Puta que não dá
Puta que não desce
Puta que não tece
Puta que não riu
Puta que não viu
Puta que pariu
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
Puta que pariu
Puta que não viu
Puta que não riu
Puta que não veio
Puta que não dá o seio
Puta que arreceio
Puta palavrão
Puta macarrão
Puta pé de baião
Puta que não trabalha
Puta que não espalha
Puta como tu atrapalha
Puta que não dá
Puta que não desce
Puta que não tece
Puta que não riu
Puta que não viu
Puta que pariu
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
O bailarino
Pura luz em movimento.
Pássaro vigoroso em dança.
Vôo…
Pernas girando num leve arco em pirueta,
Que na vertigem do ar em um salto se lança.
E pousa leve, firme, ágil, para um outro revoar.
Elástico, etéreo…
Braços longos estendidos em gestos exatos.
Pernas, braços, cabeça, mãos, dedos em
Harmoniosa conexão cortando o ar.
Corpo que transcende…
Luzes, palco, refletores, a magia da dança,
Em movimentos que o espaço transpassa
E, suave, no meu corpo (re) pousa.
Porto Alegre, 15/09/08
Roberto Corrêa Gomes
Pura luz em movimento.
Pássaro vigoroso em dança.
Vôo…
Pernas girando num leve arco em pirueta,
Que na vertigem do ar em um salto se lança.
E pousa leve, firme, ágil, para um outro revoar.
Elástico, etéreo…
Braços longos estendidos em gestos exatos.
Pernas, braços, cabeça, mãos, dedos em
Harmoniosa conexão cortando o ar.
Corpo que transcende…
Luzes, palco, refletores, a magia da dança,
Em movimentos que o espaço transpassa
E, suave, no meu corpo (re) pousa.
Porto Alegre, 15/09/08
Roberto Corrêa Gomes
Assim
Quero você assim,
sério, etério,
profundo
e transparente.
Quero você assim,
castanho,
moreno, grande,
pequeno
e até obsceno.
Quero você assim,
ereto, certo,
tão perto
(do espelho)
de ti.
É assim que eu quero você!
Quero você assim,
nu, humano,
exposto ao tempo,
ao relento ao vento,
composto e
até sujo.
É assim que eu quero você!
"Roberto Corrêa Gomes"
Quero você assim,
sério, etério,
profundo
e transparente.
Quero você assim,
castanho,
moreno, grande,
pequeno
e até obsceno.
Quero você assim,
ereto, certo,
tão perto
(do espelho)
de ti.
É assim que eu quero você!
Quero você assim,
nu, humano,
exposto ao tempo,
ao relento ao vento,
composto e
até sujo.
É assim que eu quero você!
"Roberto Corrêa Gomes"
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