sábado, 18 de julho de 2009

Poema Abertura do Ato Ecumênico de 17/07/09

Na imensidão da Saudade

A saudade é um turbilhão de emoções errantes, fugidias.
A saudade é a foto de quem já partiu ainda sorrindo para nós na estante.
A saudade é a dor de arrumar o quarto de um filho que já morreu,
de remexer suas gavetas, encontrar desenhos, bilhetes, fios de cabelos,
guardar seus brinquedos e dobrar suas roupas ainda com o seu perfume.

A saudade é ter medo de esquecer o som da voz de quem se foi.
É tentar reter na imaginação o aroma e a maciez da pele da pessoa amada.
É não saber vencer a dor das horas e dias que ficaram mais longos e mais vazios.
A saudade é tentar encontrar sinais e significados em cada milímetro da alma.

A saudade é imaginar um futuro que não mais virá, pois falta um pedaço.
A saudade é uma dor silenciosa que não se cala e que nada preenche.
A saudade é fechar os olhos e ansiar por um beijo e um abraço.
É percorrer os cômodos da casa em busca de quem não está mais presente.

A saudade é não conter as lágrimas ao ouvir o som de uma música.
É estar à beira de um abismo, chamar por um nome, e não ouvir o eco.
A saudade é o tormento de ver arrancada uma página da vida.
É estar submerso em uma imensidão de desejos e sonhos agora distantes.

A saudade é a cadeira vazia na mesa posta para o jantar.
É a cama de casal que agora ficou imensa por estar pela metade.
É a porta fechada de um quarto vazio, não mais habitado.
É procurar pelas ruas no rosto anônimo a face de quem partiu.

A saudade é a dor de nunca mais pode chamar pela mãe ou pelo pai.
A saudade é a dor de dizer meus filhos, quando sabemos que falta um.
É ter que seguir em frente com a sensação eterna de que alguém ficou para trás.
A saudade é simplesmente não poder mais saber como seriam as coisas.

A saudade é olhar para o céu e ver milhões de estrelas reluzentes
e tentar imaginar em qual delas habita a pessoa amada.
A saudade é fotografar na alma todos os momentos, todos os instantes,
para que nunca parte de nós que se foi, caia no esquecimento.
(Roberto Corrêa Gomes – 17/07/09)

quinta-feira, 12 de março de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sustenido

Há uma nota suspensa no ar,
Subtônica, sustenida, muda.
Perdidas na noite silenciosa
As palavras se esvaíram.
Não há som, nem claves, nem colchetes.
As palavras se perderam.
O poema se tornou errante, fugídio.
Nem versos, nem métricas, nem nada.
Um adágio lento como as horas,
Arrastando-se num tic-tac eterno.
Apenas o silêncio zumbindo em um
Som agudo suspenso nos ouvidos.
Um dó contido no peito.
Um ré povoando a mente.
Um mi sustenido no ar.
A poesia sumiu.
Perdeu-se em letras frias.
Perdeu-se na noite profunda.
Uma partitura em branco.
Uma folha apenas. Não há música.
Apenas um menino de olhos grandes,
Assustados, adivinhando a escuridão.
Este menino sou eu.


Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 08/02/09

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Renascer sob um céu de Estrelas

Re-nascer, nascer de novo, tornar a ser um Ser. Não importa que seja você
criança, jovem, adulto ou velho. Renasça.
Não importa se roubaram todas as flores do seu jardim.
Elas renascerão um dia em você, nem que seja em sua alma,
na saudade ou nas lembranças das paisagens do seu ser.
Não importa quem é a sua crença suprema,
nem se você acredita em alguma.
Renasça na Fé em você mesmo!
Seja o nome que for Yahweh/Javé (Jeová), Adonai, Deus,
Allá, Jesus, Buda, Maomé, Krishna, Oxalá, Tupã, ou nenhum deles.
Renasça em sí a cada dia, a cada momento,
a cada instante da Recriação do seu Existir.
Não importa sua forma de amar, mas que saudável seja,
mas que sincera seja, e Renasça sempre nesse amor, sem amarras e sem preconceitos.
Simplifique.
Abrace com emoção, com paixão, quem você deseja abraçar.
Seja seu pai, sua mãe, esposa, esposo, amor, filhos, netos, irmãos,
amigos, ou um simples passante.
Se aqueles que você deseja tanto abraçar já tiverem partido,
abrace-os com o coração, abrace-os com a alma, mas deixe-os partir,
conduzidos pelas Mãos Divinas, para que Renasçam eternamente
como Estrelas de Diamantes. É chegado a hora. Deixemo-los ir...
Deixe morrer tudo aquilo que é negativo em você,
ilumine-se com nossas Estrelas e acredite que você pode Re-Viver.
Pois, Viver é Renascer a cada dia. É Reconstruir-se! É Re-tornar-a-Ser!
Mas lembre-se mesmo que você possa se sentir frágil,
como se sua alma estivesse apagada,
haverá sempre um céu de Estrelas sobre você, iluminando o seu caminhar.
Não foi por que partiram que deixaram de Ser.
Apenas Renasceram para uma nova vida, uma nova história, para uma nova dimensão.

E saiba que Renascer será o melhor presente que você poderá dar a você mesmo.
Não desista. Não esmoreça. Não fuja. Não se abata. Não deixe de lutar! Não perca a Fé!
Renasça a cada dia sua força interior, pois dentro de nós há também
um Céu de Estrelas a nos iluminar.

Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 11/12/2008