Filho do mar
Você emergiu das águas ondulantes
Corpo elástico de olhos tesos
Mãos imensas de arpão e anzóis
Passos firmes, curso de nau ao vento
Coxas rasgando ondas obedientes
Como filho prateado, estrela do mar,
que sai do ventre de Janaína/Iemanjá.
Virei grão de areia esparramada
Congelei olhos fisgados fixos indefesos.
Quis ser concha, quis ser peixe
já preso em sua rede de fibras e músculos.
Ser gota generosa escorrendo de seu corpo.
Em nada acreditei se não em miragem,
zombaria, feitiço de Inaê que te fez
um odu mágico trazido dos rochedos
Magia de prata da imensidão do mar.
Para a definitiva imersão em mim.
Figura etérea para o meu mergulhar.
Submerso fiquei eu, guelras sem ar arfantes
Olhos ocultos em óculos seguindo o seu andar
Pajeando cada pegada marcada na areia
Perdido em cada centímetro seu
tatuado profundamente em mim para sempre.
Até seres apenas um vulto no horizonte,
deixando para trás eu e a brisa do mar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre – RS - 10/09/08
Um comentário:
Comentário Teste.
Esse é o meu predileto!
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