sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Palavras...
Sempre que puder sorria. Se os olhos são as janelas da alma, o sorriso é a porta do coração aberta ao universo. O sorriso ilumina nossos rostos, ele rompe barreiras, acaricia o espírito, abre caminhos.
Quando triste, sorria, pois as coisas são passageiras e nada pode ficar pior do que está. Na saudade, o sorriso traz aqueles momentos que foram bons, pois ele pode encurtar distâncias e tempos.
Se lhe ofenderem, sorria, pois não há resposta mais avassaladora a uma ofensa do que um sorriso luminoso e sereno.
O sorriso deveria ser o símbolo do amor, pois ele é a resposta à felicidade, um afago ao viver.
Ele pode ser espontâneo, irônico, sedutor, cúmplice, estrondoso quando gargalha, desafiador, debochado, triste, feliz, ou a manifestação da nossa luz interior interagindo com toda a energia cósmica.
Na dúvida? Sorria. Pois isto pode ser um prenuncio do quanto você ainda pode ser feliz.
Palavras...
Quando se estimula uma criança a dizer "obrigado", isto representa uma mera fagulha de se ensinar a gratidão. Mas gratidão não se ensina. Ela brota da nobreza da alma, quando nobre ela é. A gratidão é a irmã gêmea da generosidade. É a outra ponta de um fio que ligam duas virtudes libertas, despreendidas: generosidade e gratidão.
A pessoa ingrata, por sí só, não sabe ser generosa. É de alma pequena, pois a ingratidão é a irmã sórdida do egoísmo. Gratidão não é servidão, pois como já disse é liberta. Ela é a resposta sincera e espontânea, as vezes, de se ser grato ´perante a um pequeno gesto. Pois a gratidão não vê tamanho, não vê cor, não vem da riqueza nem da pobreza. Vem do Ser.
A gratidão é um abraço que enlaça seus braços afetuosos a uma graça recebida. O não-grato não sabe ser feliz, pois não sabe receber e muito menos se doar. É rua sem saída na contramão.
Ensinar um filho a ser grato se torna mera formalidade se isto já não estiver gravado em seu ser. Generosidade não se exige. Gratidão não se cobra. Elas brotam, se complementam. Senão perdem sua espontaneidade.
Generosidade e Gratidão devem ter o mesmo sentimento da saudação "Namastê!", que diz: "O Deus que há em mim saúda o Deus que há em você!". É bem assim. Simples.
Meu tempo
Meu tempo é o hoje.
O meu ontem é parte de mim,
aprendizado indissolúvel,
passado definitivo,
que agora mesmo era um hoje.
Mas que bastou um segundo,
um breve piscar de olhos,
para virar passado.
Não vivo para o ontem,
pois o amanhã já vem chegando.
Está logo ali, tão próximo,
a um passo de ser o meu novo hoje.
E assim sigo nos meus ciclos,
para mais um amanhã,
um novo dia e novas lições.
Onde espero ser uma pessoa
um pouquinho melhor do que hoje.
Digitais
Você se foi. Há tanto partiu.
Tão longe agora está.
Se perdeu nos descaminhos
da memória e do tempo.
As marcas da paixão sumiram na pele.
Teu cheiro é uma lembrança vaga
que se confunde com outros aromas.
Mas as digitais do amor ficaram na alma.
Indeléveis, mas ficaram.
Olhos de água-marinha
Adivinho teus olhos misteriosos
como quem explora pergaminhos.
Ora enigmáticos, ora levados às marés,
ora pontos de estrelas de mar profundo
onde sou náufrago submerso em braços inertes.
Imerso, navego em teus segredos
ao arrepio de ondas incertas,
pois incertos são os nossos caminhos.
Adivinho teus olhos de sedução,
como cantos de sereias que desatinam os afogados.
Mergulho de corpo inteiro no azul desse teu olhar,
onde perdido sei estar, emaranhado em redes,
desaparecido para sempre em sua imensidão.
Não há mais porto, não há mais rochedos,
apenas o intenso flutuar de meus sentidos presos,
exaustos, arfantes, ao teu jocoso e sensual olhar.
Adivinho teus olhos mágicos,
como quem busca o eterno amar.
Olhos feiticeiros, contas de água-marinha
azuis brilhantes de Olokun, regente do mar,
retirando em bolhas todo o meu fôlego,
quando desaprendo a respirar.
E o que era para sempre vira o meu fim,
onde para tudo já é tarde demais.
E de eterno só o azul do mar preso
nesse teu enigmático olhar.
Tão difícil te traduzir, por isso, a mim,
me resta apenas adivinhar...
Seus olhos verdes
Seus olhos verdes fascinam
Nem sei o que pode acontecer
Mas o que eles me dizem
É que há algo entre eu você.
Seus olhos verdes revelam
Coisas que nem posso dizer
Sinto que me hipnotizam
Prendendo-me até eu me perder.
Nenhuma palavra ou gesto
falam tão alto assim
Contam histórias tão ternas
gravadas bem dentro de mim.
Seus olhos feito esmeraldas
Me assustam e me fazem tremer
Verdes brilhantes evocam
tudo o que eu amo em você.
Seus olhos verdes me guiam
Me levam por caminhos a lhe seguir
Sinto que não tenho mais volta
Mas tudo o que eu mais quero pedir
É que me ames e me deixes viver só pra você.
(Roberto Corrêa Gomes)
Insônia
Insônia que mulher és tu que me persegues?
Se ainda eu vagasse noites afora por paixão?
Mas não. És mulher que me rouba o sono,
me deixas irrequieto, rolando na cama em vão.
Teu nome é Insônia, mas poderias te chamar Serena,
Rosa, Violeta, Jasmin ou qualquer outro nome de flor.
Assim darias as minhas noites despertas o aroma do ardor.
Ou quem sabe te chamasses Alma! Dando-me a paz
de espírito e aqueciendo minhas minhas noites,
trazendo uma prazeirosa calma para dentro de mim.
Mas se é assim que te chamas, deita-te então ao meu lado,
Afagues meus cabelos, embale-mes em sonhos não sonhados ou pelo menos conte-me histórias, pois assim, talvez, quando te distraias, eu possa, enfim, adormecer...
(Roberto Corrêa Gomes - 2h09min da madruga...)
Marinheiro
Ei marinheiro quando vais voltar?
Te espero por dias inteiros
Sem tirar os olhos do mar
Mar que sei que é teu amor primeiro
Mas que não guarda no coração
Todo amor que tenho para ti dar.
A cada vulto de embarcação
Que desponta no fim do meu olhar
Agita meu apaixonado coração
Que não cansa de te esperar.
Vigio ansiosa por dias a fio
Para nos meus braços te aninhar.
Ei marinheiro quando vais voltar?
Aqui tens tua cama macia, meu corpo quente
E meu porto aberto para que possas ancorar
Pois nem as marés, nem os ventos,
Nem a imensidão traiçoeira das águas
Tem as profundezas do meu amar.
Sou tua guardiã, sou tua ventania, sou tua sereia,
Sou mulher de marinheiro, meu navegante,
Marujo tatuado na minha pele inteira
Ondas de desejo sempre a me queimar
Por meu homem que faz da barca sua amante
Mas que tem em mim seu farol para de volta lhe guiar.
Ei marinheiro quando vais voltar?
(Roberto Corrêa Gomes)
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