Palavras não ditas
É quando o silêncio persiste,
Ruidoso, incômodo e constante,
Que tudo pode virar o avesso do amor.
Corações antes num só coração
Se perdem em um vácuo errante
Das palavras perdidas por não ditas,
Sentimentos de feridas inexplicáveis.
Crescentes, enovelando-se confusas,
Pelas sílabas não pronunciadas,
De emoções incertas, difusas, retraídas.
Palavras amorosas fazem os amantes.
Palavras agregam, palavras separam.
Palavras abençoam, palavras condenam.
Palavras seduzem, palavras eternizam.
Quando ferinas magoam, mas dizem.
Revolvem emoções, que mesmo difusas,
Carregam acertos e desacertos.
Mas e as palavras não ditas?
São setas de alvo incerto, ignorado.
Desconstróem o amor sem desnudar.
Corróem o fascínio do não mistério.
Palavras não ditas distanciam.
Rompem laços, que mesmo tênues,
Envolvem e tecem o ato de amar.
Palavra não dita é veneno sem sabor,
Sem aroma, sem limites e sem cor.
Mudez corrosiva que dissolve
Toda a ternura que um dia se
Traduziu na simples palavra amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 12/09/08
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