domingo, 21 de setembro de 2008

Nos sonhos dos peixes

E despertei…
Sei que foi o ar
que entrou pela janela.
Janela fresta aberta
trazendo a brisa
e o mar.
E nele mergulhado
retornei a sonhar.

Peixes desnudos nadam
no mar de meu quarto.
Roçam as paredes e
fazem bolhinhas de ar
em meus livros e lençóis.
E cócegas em meus pés.

Sinto-me acuado,
acusado de ser um bobo peixe,
nos sonhos dos peixes,
que nadam, flutuam no ar
do meu quarto de amar.

Mas o mar que está tão longe,
existe agora aqui em meu sono.
Pontilhado pelos pingos de chuva
que caem também em meu sonhar.

Mas que peixes são esses que estão
com os meus sonhos a brincar?
Arraias, cações, taínhas, serpentes marinhas
em um quarto de um absurdo mar
em um sonho irreal de estranho respirar.

Mas sons e relâmpagos fecham o firmamento.
Na ira de Iansã e de seus elementos.
Então em um profundo resfolegar,
emergindo de apnéias em êxtase,
me dei por conta que era eu o peixe
fora do mar e dentro do ar.

Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/09/08

Nenhum comentário: