O portão
Naquele instante já mais nada me importava,
Partias, seguias o mundo, a vida, a estrada…
Não mais ilusões restavam, não mais esperanças.
Apenas a velha árvore e meus olhos percorrendo
Teus passos, percorrendo tuas pernas, teu jeans antigo.
A mochila e teus cabelos de sonhos e ideais,
Meus olhos na estrada, ainda os passos distantes,
O portão entre eu e o que deixava de ser
Por nunca haver sido, pois tudo se tornava pegadas.
E naquele instante, ainda naquele instante,
De tudo mais nada me restava, apenas o cheiro
Do dia, de ti, da estrada, do portão de ferro que nos separava.
Roberto Corrêa Gomes
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