quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Estrelas cintilam no céu
Estrela-mãe.
Estrela-Sol.
Estrela viva.
Estrela-do-mar.
Estrela da sorte.
Estrela de Belém,
Estrela-guia, anunciação de Reis Magos viajantes.
Estrela divina nascida em manjedoura.
Estrela de Davi.
Estrela d’Alva, Vênus, vésper do entardecer,
Estrela-primeira no céu de anil.
Estrela do Pastor.
Estrelas no firmamento do Brasil.
Estrela-cadente, meteoro que não é estrela.
Estrelas, células de galáxias errantes sempre a crescer,
Pilares da Criação nos milagres de Deus.
Estrelas-d’água.
Estrelas de cinco pontas,
Estrelas dos Orixás, de Oxalá e Yemanjá,
Estrelas iluminadas vindas de Aruanda.
Estrelas que giram em nebulosas sem fim.
Estrela que pelo universo anda.
Estrelas vermelhas japonesas.
Estrelas européias em círculo de união.
Estrela corpo celeste de plasma luminoso.
Estrelas de neutrinos em ventos estelares soprados.
Estrelas em inúmeros trilhões de pontos de luz.
Estrelas encravadas na memória e da vida roubadas
Estrelas nascentes luzídias, duas em almas-mater-uterina interrompidas.
Estrelas da saudade, 199 eternas e em intensas cintilâncias,
Estrelas multicoloridas em corações tatuadas.
Estrelas que, agora calmas, cintilam no céu,
Iluminando para sempre as nossas almas.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 25/09/08
Estrela-mãe.
Estrela-Sol.
Estrela viva.
Estrela-do-mar.
Estrela da sorte.
Estrela de Belém,
Estrela-guia, anunciação de Reis Magos viajantes.
Estrela divina nascida em manjedoura.
Estrela de Davi.
Estrela d’Alva, Vênus, vésper do entardecer,
Estrela-primeira no céu de anil.
Estrela do Pastor.
Estrelas no firmamento do Brasil.
Estrela-cadente, meteoro que não é estrela.
Estrelas, células de galáxias errantes sempre a crescer,
Pilares da Criação nos milagres de Deus.
Estrelas-d’água.
Estrelas de cinco pontas,
Estrelas dos Orixás, de Oxalá e Yemanjá,
Estrelas iluminadas vindas de Aruanda.
Estrelas que giram em nebulosas sem fim.
Estrela que pelo universo anda.
Estrelas vermelhas japonesas.
Estrelas européias em círculo de união.
Estrela corpo celeste de plasma luminoso.
Estrelas de neutrinos em ventos estelares soprados.
Estrelas em inúmeros trilhões de pontos de luz.
Estrelas encravadas na memória e da vida roubadas
Estrelas nascentes luzídias, duas em almas-mater-uterina interrompidas.
Estrelas da saudade, 199 eternas e em intensas cintilâncias,
Estrelas multicoloridas em corações tatuadas.
Estrelas que, agora calmas, cintilam no céu,
Iluminando para sempre as nossas almas.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 25/09/08
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Ura nihongo de
(Versos em japonês)
(Versos em japonês)
Para Edu Sato, “ore no otootosan”
Pensei em escrever versos em japonês.
Mas como seria isto para um brasileiro,
um burajiru-jin, que não é nissei, nem é sansei?
Difícil! Muzukashii! Não sei.
Fukuzatsu! Complicado! Pensei.
Japonês é mesmo complicado sim!
Fukuzatsu! Outra vez, repetindo!
Tem tantos us, tantos ans, tantos is!
Se é gentílico, é um nihon-jin comedido.
Se é a língua ou idioma, é nihongo e pronto.
Para dizer amor é econômico, diz ai
Quando é o verbo amar é ai suru
Para juntar tudo e dizer meu amor,
As meninas falam watashi no ai,
Os meninos confessam ore no ai!
Quando é amigo, é nakama ou tomodachi.
Quando é irmão, é oniisan ou ani
Se for mais novo é otootosan
Se ele for um anjo é tenshi!
Se ele for ruim, então, é warui!
Já a palavra mãe, é sempre santidade.
É quase nome de orixá.
Pra dizer mãe, nihon-jin fala haha oya!
Parece saudação, nome de oração.
Quando fala do fundo da alma, que é shin.
É shinkou, é pura fé saída do coração,
No mais profundo sentimento, kimochi!
Mas nihon-jin sabe ser agradável, kimochi no ii.
Mesmo quando forte (tsuyoi), e com coragem (yuuki),
É tranqüilo (raku), faz messuras, mas não se dobra de fato.
Fixa nos lábios um sorriso bonito (bishoo kawaii),
Sorriso doce (amai) como açúcar, que em japonês é satoo!
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 22/09/08
domingo, 21 de setembro de 2008
Filho do mar
Você emergiu das águas ondulantes
Corpo elástico de olhos tesos
Mãos imensas de arpão e anzóis
Passos firmes, curso de nau ao vento
Coxas rasgando ondas obedientes
Como filho prateado, estrela do mar,
que sai do ventre de Janaína/Iemanjá.
Virei grão de areia esparramada
Congelei olhos fisgados fixos indefesos.
Quis ser concha, quis ser peixe
já preso em sua rede de fibras e músculos.
Ser gota generosa escorrendo de seu corpo.
Em nada acreditei se não em miragem,
zombaria, feitiço de Inaê que te fez
um odu mágico trazido dos rochedos
Magia de prata da imensidão do mar.
Para a definitiva imersão em mim.
Figura etérea para o meu mergulhar.
Submerso fiquei eu, guelras sem ar arfantes
Olhos ocultos em óculos seguindo o seu andar
Pajeando cada pegada marcada na areia
Perdido em cada centímetro seu
tatuado profundamente em mim para sempre.
Até seres apenas um vulto no horizonte,
deixando para trás eu e a brisa do mar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre – RS - 10/09/08
Você emergiu das águas ondulantes
Corpo elástico de olhos tesos
Mãos imensas de arpão e anzóis
Passos firmes, curso de nau ao vento
Coxas rasgando ondas obedientes
Como filho prateado, estrela do mar,
que sai do ventre de Janaína/Iemanjá.
Virei grão de areia esparramada
Congelei olhos fisgados fixos indefesos.
Quis ser concha, quis ser peixe
já preso em sua rede de fibras e músculos.
Ser gota generosa escorrendo de seu corpo.
Em nada acreditei se não em miragem,
zombaria, feitiço de Inaê que te fez
um odu mágico trazido dos rochedos
Magia de prata da imensidão do mar.
Para a definitiva imersão em mim.
Figura etérea para o meu mergulhar.
Submerso fiquei eu, guelras sem ar arfantes
Olhos ocultos em óculos seguindo o seu andar
Pajeando cada pegada marcada na areia
Perdido em cada centímetro seu
tatuado profundamente em mim para sempre.
Até seres apenas um vulto no horizonte,
deixando para trás eu e a brisa do mar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre – RS - 10/09/08
Fotopoema
Para Silvana Stumpf
O olhar se posiciona atento,
ora errante, ora fixado.
Fica astuto, compenetrado
esperando o exato momento,
o derradeiro segundo de armar
retinas e lentes que se contraem
cúmplices, instantâneas,
no milésimo preciso de tudo captar.
Click! Pronto! Está feito!
Da imagem nasce um poema.
O dedo comprimindo o disparador
capta o instante eternizado.
Um rosto anônimo a esmo, ermo,
ora belo, ora rugas em tez marcadas.
Uma folha outonal caindo
que na foto tem o seu flutuar congelado.
Um reflexo de luz em águas agora
definitivamente calmas, imóveis.
Um beijo pelo amor roubado.
A ira de uma paixão desenfreada.
Um quadro nem tão belo do cotidiano,
por vezes mortal, por vez cruel, porém real,
agora imutável em imagem irreversível,
do ato, do objeto não mais fugaz e do humano.
A pose matemática exata geométrica
da modelo em incansáveis ângulos.
O aconchego da união familiar
perpetuando em porta-retratos cada geração,
em ascendências e descendências de
suas fotografias de afetos genéticos,
que preenchem estantes, entre livros
e velas em castiçais.
Tudo em pura poesia de imagens,
Ora tristes, ora felizes, ora radiantes.
Por vezes arquitetadas e detalhadas,
por vezes ocasionais, acaso de instantes.
Poemas de imagens captadas por
dedos, olhos, lentes e a mais pura
poesia de absoluta inspiração.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Para Silvana Stumpf
O olhar se posiciona atento,
ora errante, ora fixado.
Fica astuto, compenetrado
esperando o exato momento,
o derradeiro segundo de armar
retinas e lentes que se contraem
cúmplices, instantâneas,
no milésimo preciso de tudo captar.
Click! Pronto! Está feito!
Da imagem nasce um poema.
O dedo comprimindo o disparador
capta o instante eternizado.
Um rosto anônimo a esmo, ermo,
ora belo, ora rugas em tez marcadas.
Uma folha outonal caindo
que na foto tem o seu flutuar congelado.
Um reflexo de luz em águas agora
definitivamente calmas, imóveis.
Um beijo pelo amor roubado.
A ira de uma paixão desenfreada.
Um quadro nem tão belo do cotidiano,
por vezes mortal, por vez cruel, porém real,
agora imutável em imagem irreversível,
do ato, do objeto não mais fugaz e do humano.
A pose matemática exata geométrica
da modelo em incansáveis ângulos.
O aconchego da união familiar
perpetuando em porta-retratos cada geração,
em ascendências e descendências de
suas fotografias de afetos genéticos,
que preenchem estantes, entre livros
e velas em castiçais.
Tudo em pura poesia de imagens,
Ora tristes, ora felizes, ora radiantes.
Por vezes arquitetadas e detalhadas,
por vezes ocasionais, acaso de instantes.
Poemas de imagens captadas por
dedos, olhos, lentes e a mais pura
poesia de absoluta inspiração.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Sim e Não
Para a Baby (Cristina Petry)
Entre o Sim e o Não,
eu prefiro o Não!
Ele tem ressonância.
É quase um mantra!
Repitam comigo:
Nnnããããããooo…
Ãããããooouuuuuu…
Viram?
É o som do universo,
mesmo que seja o inverso do Sim.
O Sim é chinfrim. É concordância,
submissão, entrega.
Rangido: iiiiiimmmm…
Som de telefone, campanhia chata.
O Não é um desafio.
É contestação.
Rima com anão,
mas é forte, grande e másculo,
senão seria machim e não machão.
O Sim faz dos amantes unidos para sempre.
Mas quem rompe alianças e separa é o Não!
É o fim do que era para ser um eterno Sim!
O Sim facilita. Concede. Dá.
Mas é meio anti-viagra.
Até rola uma boa transa.
Mas é o Não que dá mais tesão,
pois é tentação!
O Mais ou Menos é bipolar.
Nem sabe se é Sim,
Nem sabe se é Não!
Pensa que é os dois,
mas, quando muito é assim, assim…
Ora é um, ora é outro, num só!
É um bêbado na contra-mão!
O Sim alivia. Perdoa.
É libertação de confissão.
O Não, não. Faz com que doa.
Educa. Impõem limitação.
E quando brabo rima com palavrão.
O Sim não, deixa a coisa solta, meio atoa,
se faz de surdo para fingir que é Não.
Se eu prefiro o Sim?
É claro que Não!
“Então? Não é?”
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Para a Baby (Cristina Petry)
Entre o Sim e o Não,
eu prefiro o Não!
Ele tem ressonância.
É quase um mantra!
Repitam comigo:
Nnnããããããooo…
Ãããããooouuuuuu…
Viram?
É o som do universo,
mesmo que seja o inverso do Sim.
O Sim é chinfrim. É concordância,
submissão, entrega.
Rangido: iiiiiimmmm…
Som de telefone, campanhia chata.
O Não é um desafio.
É contestação.
Rima com anão,
mas é forte, grande e másculo,
senão seria machim e não machão.
O Sim faz dos amantes unidos para sempre.
Mas quem rompe alianças e separa é o Não!
É o fim do que era para ser um eterno Sim!
O Sim facilita. Concede. Dá.
Mas é meio anti-viagra.
Até rola uma boa transa.
Mas é o Não que dá mais tesão,
pois é tentação!
O Mais ou Menos é bipolar.
Nem sabe se é Sim,
Nem sabe se é Não!
Pensa que é os dois,
mas, quando muito é assim, assim…
Ora é um, ora é outro, num só!
É um bêbado na contra-mão!
O Sim alivia. Perdoa.
É libertação de confissão.
O Não, não. Faz com que doa.
Educa. Impõem limitação.
E quando brabo rima com palavrão.
O Sim não, deixa a coisa solta, meio atoa,
se faz de surdo para fingir que é Não.
Se eu prefiro o Sim?
É claro que Não!
“Então? Não é?”
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Palavras não ditas
É quando o silêncio persiste,
Ruidoso, incômodo e constante,
Que tudo pode virar o avesso do amor.
Corações antes num só coração
Se perdem em um vácuo errante
Das palavras perdidas por não ditas,
Sentimentos de feridas inexplicáveis.
Crescentes, enovelando-se confusas,
Pelas sílabas não pronunciadas,
De emoções incertas, difusas, retraídas.
Palavras amorosas fazem os amantes.
Palavras agregam, palavras separam.
Palavras abençoam, palavras condenam.
Palavras seduzem, palavras eternizam.
Quando ferinas magoam, mas dizem.
Revolvem emoções, que mesmo difusas,
Carregam acertos e desacertos.
Mas e as palavras não ditas?
São setas de alvo incerto, ignorado.
Desconstróem o amor sem desnudar.
Corróem o fascínio do não mistério.
Palavras não ditas distanciam.
Rompem laços, que mesmo tênues,
Envolvem e tecem o ato de amar.
Palavra não dita é veneno sem sabor,
Sem aroma, sem limites e sem cor.
Mudez corrosiva que dissolve
Toda a ternura que um dia se
Traduziu na simples palavra amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 12/09/08
É quando o silêncio persiste,
Ruidoso, incômodo e constante,
Que tudo pode virar o avesso do amor.
Corações antes num só coração
Se perdem em um vácuo errante
Das palavras perdidas por não ditas,
Sentimentos de feridas inexplicáveis.
Crescentes, enovelando-se confusas,
Pelas sílabas não pronunciadas,
De emoções incertas, difusas, retraídas.
Palavras amorosas fazem os amantes.
Palavras agregam, palavras separam.
Palavras abençoam, palavras condenam.
Palavras seduzem, palavras eternizam.
Quando ferinas magoam, mas dizem.
Revolvem emoções, que mesmo difusas,
Carregam acertos e desacertos.
Mas e as palavras não ditas?
São setas de alvo incerto, ignorado.
Desconstróem o amor sem desnudar.
Corróem o fascínio do não mistério.
Palavras não ditas distanciam.
Rompem laços, que mesmo tênues,
Envolvem e tecem o ato de amar.
Palavra não dita é veneno sem sabor,
Sem aroma, sem limites e sem cor.
Mudez corrosiva que dissolve
Toda a ternura que um dia se
Traduziu na simples palavra amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 12/09/08
Éramos assim
A cada passo havia um espaço de sonhos perfeitos.
A cada espaço havia um turbilhão de conflitos afins.
A cada solidão um sorriso, um gesto,
E a inviolável decisão de permanecermos assim.
Havia o beijo e o aconchego de um colo adormecido,
A indefinível insegurança de um sentimento oculto.
A beleza e o toque do corpo, a nossa vibração em
Cada centímetro de pele decifrado. Devorado.
O arrepio…
A cada outro dia a lembrança do teu cheiro, dos teus lábios,
E a memória encravada do teu corpo agora distante.
A ausência, um vazio no tempo, sensação de perda
Corroendo a pele, apertando o coração,
Percorrendo veias, células e sinapses ardentes.
A cada rompimento uma nova solidão.
O desaconchego…
A cada recomeçar um reinício do fim.
Pois éramos assim: cíclicos, miragens, reflexos de almas
De emoções incandescentes, reversas e convexas.
Assim seguiamos nos amando cada um do seu jeito.
Até que tudo se desconstruísse e o que era tão presente
Tornava-se um passado imperfeito de revivências.
Estávamos novamente desconectados. Desconvexos.
E os olhos que destilassem o que não mais havia de lágrimas.
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
A cada passo havia um espaço de sonhos perfeitos.
A cada espaço havia um turbilhão de conflitos afins.
A cada solidão um sorriso, um gesto,
E a inviolável decisão de permanecermos assim.
Havia o beijo e o aconchego de um colo adormecido,
A indefinível insegurança de um sentimento oculto.
A beleza e o toque do corpo, a nossa vibração em
Cada centímetro de pele decifrado. Devorado.
O arrepio…
A cada outro dia a lembrança do teu cheiro, dos teus lábios,
E a memória encravada do teu corpo agora distante.
A ausência, um vazio no tempo, sensação de perda
Corroendo a pele, apertando o coração,
Percorrendo veias, células e sinapses ardentes.
A cada rompimento uma nova solidão.
O desaconchego…
A cada recomeçar um reinício do fim.
Pois éramos assim: cíclicos, miragens, reflexos de almas
De emoções incandescentes, reversas e convexas.
Assim seguiamos nos amando cada um do seu jeito.
Até que tudo se desconstruísse e o que era tão presente
Tornava-se um passado imperfeito de revivências.
Estávamos novamente desconectados. Desconvexos.
E os olhos que destilassem o que não mais havia de lágrimas.
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
Puta
Puta que pariu
Puta que não viu
Puta que não riu
Puta que não veio
Puta que não dá o seio
Puta que arreceio
Puta palavrão
Puta macarrão
Puta pé de baião
Puta que não trabalha
Puta que não espalha
Puta como tu atrapalha
Puta que não dá
Puta que não desce
Puta que não tece
Puta que não riu
Puta que não viu
Puta que pariu
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
Puta que pariu
Puta que não viu
Puta que não riu
Puta que não veio
Puta que não dá o seio
Puta que arreceio
Puta palavrão
Puta macarrão
Puta pé de baião
Puta que não trabalha
Puta que não espalha
Puta como tu atrapalha
Puta que não dá
Puta que não desce
Puta que não tece
Puta que não riu
Puta que não viu
Puta que pariu
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
O bailarino
Pura luz em movimento.
Pássaro vigoroso em dança.
Vôo…
Pernas girando num leve arco em pirueta,
Que na vertigem do ar em um salto se lança.
E pousa leve, firme, ágil, para um outro revoar.
Elástico, etéreo…
Braços longos estendidos em gestos exatos.
Pernas, braços, cabeça, mãos, dedos em
Harmoniosa conexão cortando o ar.
Corpo que transcende…
Luzes, palco, refletores, a magia da dança,
Em movimentos que o espaço transpassa
E, suave, no meu corpo (re) pousa.
Porto Alegre, 15/09/08
Roberto Corrêa Gomes
Pura luz em movimento.
Pássaro vigoroso em dança.
Vôo…
Pernas girando num leve arco em pirueta,
Que na vertigem do ar em um salto se lança.
E pousa leve, firme, ágil, para um outro revoar.
Elástico, etéreo…
Braços longos estendidos em gestos exatos.
Pernas, braços, cabeça, mãos, dedos em
Harmoniosa conexão cortando o ar.
Corpo que transcende…
Luzes, palco, refletores, a magia da dança,
Em movimentos que o espaço transpassa
E, suave, no meu corpo (re) pousa.
Porto Alegre, 15/09/08
Roberto Corrêa Gomes
Assim
Quero você assim,
sério, etério,
profundo
e transparente.
Quero você assim,
castanho,
moreno, grande,
pequeno
e até obsceno.
Quero você assim,
ereto, certo,
tão perto
(do espelho)
de ti.
É assim que eu quero você!
Quero você assim,
nu, humano,
exposto ao tempo,
ao relento ao vento,
composto e
até sujo.
É assim que eu quero você!
"Roberto Corrêa Gomes"
Quero você assim,
sério, etério,
profundo
e transparente.
Quero você assim,
castanho,
moreno, grande,
pequeno
e até obsceno.
Quero você assim,
ereto, certo,
tão perto
(do espelho)
de ti.
É assim que eu quero você!
Quero você assim,
nu, humano,
exposto ao tempo,
ao relento ao vento,
composto e
até sujo.
É assim que eu quero você!
"Roberto Corrêa Gomes"
O portão
Naquele instante já mais nada me importava,
Partias, seguias o mundo, a vida, a estrada…
Não mais ilusões restavam, não mais esperanças.
Apenas a velha árvore e meus olhos percorrendo
Teus passos, percorrendo tuas pernas, teu jeans antigo.
A mochila e teus cabelos de sonhos e ideais,
Meus olhos na estrada, ainda os passos distantes,
O portão entre eu e o que deixava de ser
Por nunca haver sido, pois tudo se tornava pegadas.
E naquele instante, ainda naquele instante,
De tudo mais nada me restava, apenas o cheiro
Do dia, de ti, da estrada, do portão de ferro que nos separava.
Roberto Corrêa Gomes
Naquele instante já mais nada me importava,
Partias, seguias o mundo, a vida, a estrada…
Não mais ilusões restavam, não mais esperanças.
Apenas a velha árvore e meus olhos percorrendo
Teus passos, percorrendo tuas pernas, teu jeans antigo.
A mochila e teus cabelos de sonhos e ideais,
Meus olhos na estrada, ainda os passos distantes,
O portão entre eu e o que deixava de ser
Por nunca haver sido, pois tudo se tornava pegadas.
E naquele instante, ainda naquele instante,
De tudo mais nada me restava, apenas o cheiro
Do dia, de ti, da estrada, do portão de ferro que nos separava.
Roberto Corrêa Gomes
Tateamos Orações
Tateamos orações
Morremos há muito em nós
Mas ainda seguimos de mãos postas
Seguimos contritos na dor
De nossos joelhos
Cantamos essa dor
Por ser herança de vida
Caminhamos juntos
Juntos nos beijamos
Arranhamos a nudez
Ardemos isolados
Como arde a dor da morte
Isolados como a saudade
Tateamos orações
Quando arriscamos ruas
E palavras
Tateamos mais ainda
Quando nos buscamos
E nos encontramos ausentes
Pois desaprendemos a procurar
Morremos há muito em nós
Quando navegamos
Alí naquele barco
Remando juntos os mesmos músculos
Morremos há muito em nós
Pois não nos vemos
Quando perseguimos carrocéis.
Roberto Corrêa Gomes, um dia desses
Morremos há muito em nós
Mas ainda seguimos de mãos postas
Seguimos contritos na dor
De nossos joelhos
Cantamos essa dor
Por ser herança de vida
Caminhamos juntos
Juntos nos beijamos
Arranhamos a nudez
Ardemos isolados
Como arde a dor da morte
Isolados como a saudade
Tateamos orações
Quando arriscamos ruas
E palavras
Tateamos mais ainda
Quando nos buscamos
E nos encontramos ausentes
Pois desaprendemos a procurar
Morremos há muito em nós
Quando navegamos
Alí naquele barco
Remando juntos os mesmos músculos
Morremos há muito em nós
Pois não nos vemos
Quando perseguimos carrocéis.
Roberto Corrêa Gomes, um dia desses
Libélulas e Dragões
Somos libélulas e dragões
E abençoamos nossa sanha,
Como os pescadores abençoam
Seus barcos.
Somos peixes.
Somos libélulas e dragões
E o estômago é nossa pátria
Como a fome é bandeira
Que tremula em nossos dentes.
Somos iscas.
Somos libélulas e dragões
Fome ou consciência?
Temos anzóis perante os olhos
E mastigamos saliva
Como mastigamos anzóis.
Somos nossos pescadores.
Somos libélulas e dragões.
"Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Somos libélulas e dragões
E abençoamos nossa sanha,
Como os pescadores abençoam
Seus barcos.
Somos peixes.
Somos libélulas e dragões
E o estômago é nossa pátria
Como a fome é bandeira
Que tremula em nossos dentes.
Somos iscas.
Somos libélulas e dragões
Fome ou consciência?
Temos anzóis perante os olhos
E mastigamos saliva
Como mastigamos anzóis.
Somos nossos pescadores.
Somos libélulas e dragões.
"Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Chuva
A chuva cai forte e vingativa,
cai lavando a minha alma,
tão baixa, tão tênue, tão, agora,
sem asa, sem sal, em estranha calma.
Uma fluída sensação percorre
o meu corpo, quando sinto
essa chuva vingando no pátio,
nas pedras, nos muros, nas árvores.
Forte, inviolável, escorrendo
nas calhas, veias da minh’alma.
É uma sinfonia que molha meu teto,
e cai no meu travesseiro pela invisível
goteira, e entra em meu quarto sorrateira.
E, também, sorrateiramente em mim.
Refazendo-me em água renascida.
Em recriação uterina de afeto.
Eu sinto essa chuva.
Eu a vivo intensamente em minha,
hoje, arredia e transpassada alma.
Mas mesmo assim nada mais me interessa.
Pois homens e ânimas não valem a chuva.
São velas presunçosas que envergam,
se encharcam e quebram inúteis.
Suas imagens e faces escorrem por terra, sujas.
Mas a chuva não. A chuva continua indelével
e vingativa.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, setembro de 2008
A chuva cai forte e vingativa,
cai lavando a minha alma,
tão baixa, tão tênue, tão, agora,
sem asa, sem sal, em estranha calma.
Uma fluída sensação percorre
o meu corpo, quando sinto
essa chuva vingando no pátio,
nas pedras, nos muros, nas árvores.
Forte, inviolável, escorrendo
nas calhas, veias da minh’alma.
É uma sinfonia que molha meu teto,
e cai no meu travesseiro pela invisível
goteira, e entra em meu quarto sorrateira.
E, também, sorrateiramente em mim.
Refazendo-me em água renascida.
Em recriação uterina de afeto.
Eu sinto essa chuva.
Eu a vivo intensamente em minha,
hoje, arredia e transpassada alma.
Mas mesmo assim nada mais me interessa.
Pois homens e ânimas não valem a chuva.
São velas presunçosas que envergam,
se encharcam e quebram inúteis.
Suas imagens e faces escorrem por terra, sujas.
Mas a chuva não. A chuva continua indelével
e vingativa.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, setembro de 2008
Nos sonhos dos peixes
E despertei…
Sei que foi o ar
que entrou pela janela.
Janela fresta aberta
trazendo a brisa
e o mar.
E nele mergulhado
retornei a sonhar.
Peixes desnudos nadam
no mar de meu quarto.
Roçam as paredes e
fazem bolhinhas de ar
em meus livros e lençóis.
E cócegas em meus pés.
Sinto-me acuado,
acusado de ser um bobo peixe,
nos sonhos dos peixes,
que nadam, flutuam no ar
do meu quarto de amar.
Mas o mar que está tão longe,
existe agora aqui em meu sono.
Pontilhado pelos pingos de chuva
que caem também em meu sonhar.
Mas que peixes são esses que estão
com os meus sonhos a brincar?
Arraias, cações, taínhas, serpentes marinhas
em um quarto de um absurdo mar
em um sonho irreal de estranho respirar.
Mas sons e relâmpagos fecham o firmamento.
Na ira de Iansã e de seus elementos.
Então em um profundo resfolegar,
emergindo de apnéias em êxtase,
me dei por conta que era eu o peixe
fora do mar e dentro do ar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/09/08
E despertei…
Sei que foi o ar
que entrou pela janela.
Janela fresta aberta
trazendo a brisa
e o mar.
E nele mergulhado
retornei a sonhar.
Peixes desnudos nadam
no mar de meu quarto.
Roçam as paredes e
fazem bolhinhas de ar
em meus livros e lençóis.
E cócegas em meus pés.
Sinto-me acuado,
acusado de ser um bobo peixe,
nos sonhos dos peixes,
que nadam, flutuam no ar
do meu quarto de amar.
Mas o mar que está tão longe,
existe agora aqui em meu sono.
Pontilhado pelos pingos de chuva
que caem também em meu sonhar.
Mas que peixes são esses que estão
com os meus sonhos a brincar?
Arraias, cações, taínhas, serpentes marinhas
em um quarto de um absurdo mar
em um sonho irreal de estranho respirar.
Mas sons e relâmpagos fecham o firmamento.
Na ira de Iansã e de seus elementos.
Então em um profundo resfolegar,
emergindo de apnéias em êxtase,
me dei por conta que era eu o peixe
fora do mar e dentro do ar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/09/08
O sonho
Eram pássaros e cores,
era um corpo voando, saltando nas nuvens.
Ora em verdes campos e flores,
ora na espuma branca reluzídia do mar.
Eram imagens…
E via o azul do céu,
e via o vermelho-boa-noite do sol.
A estrela primeira no véu.
(Passavam horas e pensamentos.)
E via o bom dia do sol
(O dia.)
E a doce chuva no outro dia.
Era o meu corpo adormecido
e os pássaros nas cores das nuvens.
O sonho.
O vôo.
O sino da igreja.
O despertar.
E lá vou eu,
a repicar,
entre vozes, carros, aço e rostos.
“Roberto Corrêa Gomes, num dia desses…”
Eram pássaros e cores,
era um corpo voando, saltando nas nuvens.
Ora em verdes campos e flores,
ora na espuma branca reluzídia do mar.
Eram imagens…
E via o azul do céu,
e via o vermelho-boa-noite do sol.
A estrela primeira no véu.
(Passavam horas e pensamentos.)
E via o bom dia do sol
(O dia.)
E a doce chuva no outro dia.
Era o meu corpo adormecido
e os pássaros nas cores das nuvens.
O sonho.
O vôo.
O sino da igreja.
O despertar.
E lá vou eu,
a repicar,
entre vozes, carros, aço e rostos.
“Roberto Corrêa Gomes, num dia desses…”
Pássaro
Doce encanto que me embala
na infinita canção da noite.
Calmo silencio a minha fala
para que o pássaro cante.
Roberto Corrêa Gomes
-----------------------------------------
Maria
Num mundo incerto.
Maria que lava
que chora
que passa.
Lava as lágrimas
chora as mágoas
passa a vida.
Maria da esquina.
Roberto Corrêa Gomes
Doce encanto que me embala
na infinita canção da noite.
Calmo silencio a minha fala
para que o pássaro cante.
Roberto Corrêa Gomes
-----------------------------------------
Maria
Num mundo incerto.
Maria que lava
que chora
que passa.
Lava as lágrimas
chora as mágoas
passa a vida.
Maria da esquina.
Roberto Corrêa Gomes
Sonhos noturnos
Efêmeras noites estas
paradas, pendentes.
Asas tão sonhadas
débeis sonhos,
sem gota alguma de sangue,
sem pátria
ou espaço nenhum.
Roberto Corrêa Gomes
---------------------------------------
Sueños en la noche
Efímeras noches estas
paradas, pendientes.
Allas tan soñadas,
débiles sueños,
sin gota alguna de sangre,
sin patria,
sin espacio ninguno.
Roberto Corrêa Gomes
Efêmeras noites estas
paradas, pendentes.
Asas tão sonhadas
débeis sonhos,
sem gota alguma de sangue,
sem pátria
ou espaço nenhum.
Roberto Corrêa Gomes
---------------------------------------
Sueños en la noche
Efímeras noches estas
paradas, pendientes.
Allas tan soñadas,
débiles sueños,
sin gota alguna de sangre,
sin patria,
sin espacio ninguno.
Roberto Corrêa Gomes
Objetos
Voei com o vento,
me perdi no tempo,
meu canto, meu silêncio,
meu terço,
Sou eu minha prece.
Morri para o mundo.
Nasci no universo.
Gesto, objeto.
Erros secretos.
Meus amigos, minha noção.
Morri nos dias.
Pequei na noite.
Imerso, quieto,
perdi minha fonte.
Morreu meu guia.
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Voei com o vento,
me perdi no tempo,
meu canto, meu silêncio,
meu terço,
Sou eu minha prece.
Morri para o mundo.
Nasci no universo.
Gesto, objeto.
Erros secretos.
Meus amigos, minha noção.
Morri nos dias.
Pequei na noite.
Imerso, quieto,
perdi minha fonte.
Morreu meu guia.
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Vigília
A esperança dói
em mim, em ti,
no companheiro ignorado.
A esperança dói
quando é poço,
redemoinho e fogo
sangrando em nós.
A dor de esperar
perseguindo o orvalho,
que emanamos na
vigília das ruas
e lençóis.
Dói.
Como alimento de vida,
crescemos.
Como impulso imóvel
nos mantêm,
ponto de céu
que velejamos.
Dói.
Mas espreitamos horizontes
e esperamos…
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
A esperança dói
em mim, em ti,
no companheiro ignorado.
A esperança dói
quando é poço,
redemoinho e fogo
sangrando em nós.
A dor de esperar
perseguindo o orvalho,
que emanamos na
vigília das ruas
e lençóis.
Dói.
Como alimento de vida,
crescemos.
Como impulso imóvel
nos mantêm,
ponto de céu
que velejamos.
Dói.
Mas espreitamos horizontes
e esperamos…
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Imerso na dissonância
Imerso como a noite que cerra
suas pálpebras de linho.
Cerra e norteia o que há de mágoa
e tontura.
Imerso na dissonância
de um vago caminho.
Fugídios os caminhos derivam.
E eu me debruço,
me apóio, por sobre muradas
que isolam o que há de estradas ou degraus
nos olhos em que me perco.
Enfim, sou apenas ramo,
imerso no que resta de solidão.
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Imerso como a noite que cerra
suas pálpebras de linho.
Cerra e norteia o que há de mágoa
e tontura.
Imerso na dissonância
de um vago caminho.
Fugídios os caminhos derivam.
E eu me debruço,
me apóio, por sobre muradas
que isolam o que há de estradas ou degraus
nos olhos em que me perco.
Enfim, sou apenas ramo,
imerso no que resta de solidão.
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Insolidão
Solidão, ermo não solitário.
Mesmo só, nunca se está só,
nem se tem o deserto na alma e no corpo.
Mesmo só, nunca se está só
Tem-se a solidão como companheira.
É como ser a lâmpada que permaneceu
esquecida, acesa, no passar da noite fria,
escura, acesa e clareada pela lâmpada solitária
que também não está só, tem a penumbra
e as sombras como companheiras.
O mar não está só, tem o céu, tem as nuvens,
é morada revolta e sagrada de orixás.
Mar profundo de horizontes sem fim.
Mistério de barcos solitários a navegar.
Nas casas as quatro paredes companheiras,
uma de pedra e outras de madeira.
Aconchegam-se, sustentam-se.
Escondem segredos de íntimas solidões.
E na mente fluem pensamentos,
sonhos, fantasias de aventura errante.
Ouve-se violinos ao longe, um som distante.
Pensamentos calados, o coração batendo
Em seu compasso de descompassos.
A solidão batendo à porta do coração.
Na noite de mil lâmpadas sós,
pensa-se calado, encimesmado.
O grilo notívago canta baixinho.
Canta para sí. Só.
Vozes falam sozinhas entre outras paredes.
Disfarçados outros olhos bailam, tremulam,
em lágrimas que rolam em faces que se desfazem.
Rompem-se, não há farsa, são só outras faces.
Mesmo só nunca se está só,
tem-se a solidão como companheira.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/09/08
Solidão, ermo não solitário.
Mesmo só, nunca se está só,
nem se tem o deserto na alma e no corpo.
Mesmo só, nunca se está só
Tem-se a solidão como companheira.
É como ser a lâmpada que permaneceu
esquecida, acesa, no passar da noite fria,
escura, acesa e clareada pela lâmpada solitária
que também não está só, tem a penumbra
e as sombras como companheiras.
O mar não está só, tem o céu, tem as nuvens,
é morada revolta e sagrada de orixás.
Mar profundo de horizontes sem fim.
Mistério de barcos solitários a navegar.
Nas casas as quatro paredes companheiras,
uma de pedra e outras de madeira.
Aconchegam-se, sustentam-se.
Escondem segredos de íntimas solidões.
E na mente fluem pensamentos,
sonhos, fantasias de aventura errante.
Ouve-se violinos ao longe, um som distante.
Pensamentos calados, o coração batendo
Em seu compasso de descompassos.
A solidão batendo à porta do coração.
Na noite de mil lâmpadas sós,
pensa-se calado, encimesmado.
O grilo notívago canta baixinho.
Canta para sí. Só.
Vozes falam sozinhas entre outras paredes.
Disfarçados outros olhos bailam, tremulam,
em lágrimas que rolam em faces que se desfazem.
Rompem-se, não há farsa, são só outras faces.
Mesmo só nunca se está só,
tem-se a solidão como companheira.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/09/08
Direito de amar
É tão difícil te dizer o que sinto
quando em teus olhos sou coração,
volátil coração, sombra etérea
que explode em sentimentos.
Amor, convés revolto em vagas
delineando o que há de ira,
o que há de amar.
É tão difícil fazer sentir
o que há de amargo na
incompreensão desse amor.
Desconhecem a tua infinita verdade,
infusa no que há de mais real.
Ignoram tua serena profundidade,
que transcendente, faz de instantes,
mesmo fugazes, a continuidade.
Amor, é tão difícil ser o que sou
e ser sem se curvar, sabendo quem sou,
lutar pelo respeito, pelo direito de te amar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/09/08
É tão difícil te dizer o que sinto
quando em teus olhos sou coração,
volátil coração, sombra etérea
que explode em sentimentos.
Amor, convés revolto em vagas
delineando o que há de ira,
o que há de amar.
É tão difícil fazer sentir
o que há de amargo na
incompreensão desse amor.
Desconhecem a tua infinita verdade,
infusa no que há de mais real.
Ignoram tua serena profundidade,
que transcendente, faz de instantes,
mesmo fugazes, a continuidade.
Amor, é tão difícil ser o que sou
e ser sem se curvar, sabendo quem sou,
lutar pelo respeito, pelo direito de te amar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/09/08
Alma Interior
Alma interior,
encontrei-te um dia
a ruminar pedras,
lamentosa te encontrei.
Miúda entre os cílios,
ausente navegavas irresoluta
sobre teus pensamentos.
E me preocupei, pois sei
o quanto dormias
e por mais que te evocasse,
não acordavas, nem te mexias.
Preocupei-me mais ainda,
quando tuas lágrimas
orvalhavam o que restava
de lábios em mim.
Alma interior,
por onde andavas
quando te chamei.
Gritei teu nome,
solucei, me agitei,
gemi teu nome
e nada. Nem uma sílaba.
Abandonado me julguei,
Traído, por ti recusado.
E este sentimento de perda,
este cruel sentimento,
me deixou trêmulo,
pois o que seria de mim
sem minha alma interior.
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Alma interior,
encontrei-te um dia
a ruminar pedras,
lamentosa te encontrei.
Miúda entre os cílios,
ausente navegavas irresoluta
sobre teus pensamentos.
E me preocupei, pois sei
o quanto dormias
e por mais que te evocasse,
não acordavas, nem te mexias.
Preocupei-me mais ainda,
quando tuas lágrimas
orvalhavam o que restava
de lábios em mim.
Alma interior,
por onde andavas
quando te chamei.
Gritei teu nome,
solucei, me agitei,
gemi teu nome
e nada. Nem uma sílaba.
Abandonado me julguei,
Traído, por ti recusado.
E este sentimento de perda,
este cruel sentimento,
me deixou trêmulo,
pois o que seria de mim
sem minha alma interior.
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Elegia habitual
Do vago lamento, indistinto,
Brotou o poema.
Poema eventual, faminto.
Com sede de vida.
Confusa transfiguração
que deita ao solo caótico
sem poder alçar vôo
e voar para o íntimo
do coração.
Corpo confuso na cidade,
urbe apagada, cansada.
Fardo solitário…
Habitual exaustiva vida
aprisionada em cela de néon.
Ofuscante néon que corrói
os olhos e cega o coração.
Elegias… Elegias…
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
Do vago lamento, indistinto,
Brotou o poema.
Poema eventual, faminto.
Com sede de vida.
Confusa transfiguração
que deita ao solo caótico
sem poder alçar vôo
e voar para o íntimo
do coração.
Corpo confuso na cidade,
urbe apagada, cansada.
Fardo solitário…
Habitual exaustiva vida
aprisionada em cela de néon.
Ofuscante néon que corrói
os olhos e cega o coração.
Elegias… Elegias…
“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”
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