domingo, 21 de setembro de 2008

Éramos assim

A cada passo havia um espaço de sonhos perfeitos.
A cada espaço havia um turbilhão de conflitos afins.
A cada solidão um sorriso, um gesto,
E a inviolável decisão de permanecermos assim.
Havia o beijo e o aconchego de um colo adormecido,
A indefinível insegurança de um sentimento oculto.
A beleza e o toque do corpo, a nossa vibração em
Cada centímetro de pele decifrado. Devorado.
O arrepio…
A cada outro dia a lembrança do teu cheiro, dos teus lábios,
E a memória encravada do teu corpo agora distante.
A ausência, um vazio no tempo, sensação de perda
Corroendo a pele, apertando o coração,
Percorrendo veias, células e sinapses ardentes.
A cada rompimento uma nova solidão.
O desaconchego…
A cada recomeçar um reinício do fim.
Pois éramos assim: cíclicos, miragens, reflexos de almas
De emoções incandescentes, reversas e convexas.
Assim seguiamos nos amando cada um do seu jeito.
Até que tudo se desconstruísse e o que era tão presente
Tornava-se um passado imperfeito de revivências.
Estávamos novamente desconectados. Desconvexos.
E os olhos que destilassem o que não mais havia de lágrimas.

Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes

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