domingo, 21 de setembro de 2008

Fotopoema

Para Silvana Stumpf

O olhar se posiciona atento,
ora errante, ora fixado.
Fica astuto, compenetrado
esperando o exato momento,
o derradeiro segundo de armar
retinas e lentes que se contraem
cúmplices, instantâneas,
no milésimo preciso de tudo captar.
Click! Pronto! Está feito!
Da imagem nasce um poema.

O dedo comprimindo o disparador
capta o instante eternizado.
Um rosto anônimo a esmo, ermo,
ora belo, ora rugas em tez marcadas.
Uma folha outonal caindo
que na foto tem o seu flutuar congelado.
Um reflexo de luz em águas agora
definitivamente calmas, imóveis.
Um beijo pelo amor roubado.
A ira de uma paixão desenfreada.
Um quadro nem tão belo do cotidiano,
por vezes mortal, por vez cruel, porém real,
agora imutável em imagem irreversível,
do ato, do objeto não mais fugaz e do humano.

A pose matemática exata geométrica
da modelo em incansáveis ângulos.
O aconchego da união familiar
perpetuando em porta-retratos cada geração,
em ascendências e descendências de
suas fotografias de afetos genéticos,
que preenchem estantes, entre livros
e velas em castiçais.

Tudo em pura poesia de imagens,
Ora tristes, ora felizes, ora radiantes.
Por vezes arquitetadas e detalhadas,
por vezes ocasionais, acaso de instantes.
Poemas de imagens captadas por
dedos, olhos, lentes e a mais pura
poesia de absoluta inspiração.

Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08

Um comentário:

Anônimo disse...

Das poucas poesias que até agora li, esta foi a que mais gostei. Talvez porque a fotografia seja algo que tanto gosto, e esse poema disse exatamente aquilo que penso.Basta apenas um click, que podemos até mesmo sem querer, tansformar um segundo numa forma linda de poesia e arte.