domingo, 21 de setembro de 2008

Alma Interior

Alma interior,
encontrei-te um dia
a ruminar pedras,
lamentosa te encontrei.
Miúda entre os cílios,
ausente navegavas irresoluta
sobre teus pensamentos.
E me preocupei, pois sei
o quanto dormias
e por mais que te evocasse,
não acordavas, nem te mexias.
Preocupei-me mais ainda,
quando tuas lágrimas
orvalhavam o que restava
de lábios em mim.

Alma interior,
por onde andavas
quando te chamei.
Gritei teu nome,
solucei, me agitei,
gemi teu nome
e nada. Nem uma sílaba.
Abandonado me julguei,
Traído, por ti recusado.
E este sentimento de perda,
este cruel sentimento,
me deixou trêmulo,
pois o que seria de mim
sem minha alma interior.

“Roberto Corrêa Gomes, um dia destes…”

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