Espelho
Eu não sou imagem de um só
no espelho em que me revelo.
Sou fragmentos de vidros, em um nó
de mil reflexos emaranhados.
Facetas de prismas e névoas
de difusas miragens de meu rosto.
Mas há alguém por de trás deste espelho
que não mostro nem a mim mesmo.
Nele sou um outro que não eu.
Um outro de olhar inquiridor.
Um outro de olhar reprimido.
Um outro que busca quem sou.
Mas ainda atrás deste espelho, oculto,
há mais alguém entre eu e o outro.
Um rosto que é mistério e vulto.
Ele também não sabe quem é ele
na imagem embaçada entre eu e o outro.
Para ele, sou côncavo e o outro convexo.
Mas somos apenas raios luminosos
de trajetórias angulares de nosso reflexo.
Na verdade não queremos respostas.
Apenas nos miramos uns aos outros.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 03/10/08
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