segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pêndulos da Vida

Ponteiros errantes que não param
Em horas fugidias sorrateiras.
Olho-as de soslaio enquanto passam
Em trilhos e estradas sem beiras.

Trem de vidas em remendos cerzidas.
Almas em rios caudalosos, viscosos.
Almas em mosaicos desconstruídos.
Olho-as horas em mim transpassadas.

Oscilantes nos pêndulos dos destinos,
Da balança cósmica que rege as vidas,
De karmas em causas, acasos e efeitos.
Sob os olhos vítreos fixos de Anúbis.

Supremo Regente da Boa Lei,
Que cerra as portas aos indignos.
Mas abre-as a pedintes e mendigos,
Que oram em preces de arrependimento.

A vida só tem mistérios…
É um balançar de incertezas,
Em um jogo sem fim de espirais e caracóis
Dos oito caminhos lunares de Krishna.

Pêndulos eternos de muitas eras.
Essências contruídas em 108 existências,
Das 108 voltas bramânicas sagradas,
Ciclo das 108 contas do colar de Buda.

A vida só tem mistérios…
Mistérios perseguidos em avataras
Milagres das encarnações de Vishnu.
Sinais de deuses, profetas e apóstolos.

Olho-as em vidas passadas em mim,
Corpo de carne, artérias, ossos e medos.
Fragmentos de signos e mistérios frágeis,
Perdidos em algum chão no reino de Deus.


Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 08/10/08

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