sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Olhos de água-marinha
Adivinho teus olhos misteriosos
como quem explora pergaminhos.
Ora enigmáticos, ora levados às marés,
ora pontos de estrelas de mar profundo
onde sou náufrago submerso em braços inertes.
Imerso, navego em teus segredos
ao arrepio de ondas incertas,
pois incertos são os nossos caminhos.
Adivinho teus olhos de sedução,
como cantos de sereias que desatinam os afogados.
Mergulho de corpo inteiro no azul desse teu olhar,
onde perdido sei estar, emaranhado em redes,
desaparecido para sempre em sua imensidão.
Não há mais porto, não há mais rochedos,
apenas o intenso flutuar de meus sentidos presos,
exaustos, arfantes, ao teu jocoso e sensual olhar.
Adivinho teus olhos mágicos,
como quem busca o eterno amar.
Olhos feiticeiros, contas de água-marinha
azuis brilhantes de Olokun, regente do mar,
retirando em bolhas todo o meu fôlego,
quando desaprendo a respirar.
E o que era para sempre vira o meu fim,
onde para tudo já é tarde demais.
E de eterno só o azul do mar preso
nesse teu enigmático olhar.
Tão difícil te traduzir, por isso, a mim,
me resta apenas adivinhar...
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