quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Estrelas cintilam no céu
Estrela-mãe.
Estrela-Sol.
Estrela viva.
Estrela-do-mar.
Estrela da sorte.
Estrela de Belém,
Estrela-guia, anunciação de Reis Magos viajantes.
Estrela divina nascida em manjedoura.
Estrela de Davi.
Estrela d’Alva, Vênus, vésper do entardecer,
Estrela-primeira no céu de anil.
Estrela do Pastor.
Estrelas no firmamento do Brasil.
Estrela-cadente, meteoro que não é estrela.
Estrelas, células de galáxias errantes sempre a crescer,
Pilares da Criação nos milagres de Deus.
Estrelas-d’água.
Estrelas de cinco pontas,
Estrelas dos Orixás, de Oxalá e Yemanjá,
Estrelas iluminadas vindas de Aruanda.
Estrelas que giram em nebulosas sem fim.
Estrela que pelo universo anda.
Estrelas vermelhas japonesas.
Estrelas européias em círculo de união.
Estrela corpo celeste de plasma luminoso.
Estrelas de neutrinos em ventos estelares soprados.
Estrelas em inúmeros trilhões de pontos de luz.
Estrelas encravadas na memória e da vida roubadas
Estrelas nascentes luzídias, duas em almas-mater-uterina interrompidas.
Estrelas da saudade, 199 eternas e em intensas cintilâncias,
Estrelas multicoloridas em corações tatuadas.
Estrelas que, agora calmas, cintilam no céu,
Iluminando para sempre as nossas almas.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 25/09/08
Estrela-mãe.
Estrela-Sol.
Estrela viva.
Estrela-do-mar.
Estrela da sorte.
Estrela de Belém,
Estrela-guia, anunciação de Reis Magos viajantes.
Estrela divina nascida em manjedoura.
Estrela de Davi.
Estrela d’Alva, Vênus, vésper do entardecer,
Estrela-primeira no céu de anil.
Estrela do Pastor.
Estrelas no firmamento do Brasil.
Estrela-cadente, meteoro que não é estrela.
Estrelas, células de galáxias errantes sempre a crescer,
Pilares da Criação nos milagres de Deus.
Estrelas-d’água.
Estrelas de cinco pontas,
Estrelas dos Orixás, de Oxalá e Yemanjá,
Estrelas iluminadas vindas de Aruanda.
Estrelas que giram em nebulosas sem fim.
Estrela que pelo universo anda.
Estrelas vermelhas japonesas.
Estrelas européias em círculo de união.
Estrela corpo celeste de plasma luminoso.
Estrelas de neutrinos em ventos estelares soprados.
Estrelas em inúmeros trilhões de pontos de luz.
Estrelas encravadas na memória e da vida roubadas
Estrelas nascentes luzídias, duas em almas-mater-uterina interrompidas.
Estrelas da saudade, 199 eternas e em intensas cintilâncias,
Estrelas multicoloridas em corações tatuadas.
Estrelas que, agora calmas, cintilam no céu,
Iluminando para sempre as nossas almas.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 25/09/08
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Ura nihongo de
(Versos em japonês)
(Versos em japonês)
Para Edu Sato, “ore no otootosan”
Pensei em escrever versos em japonês.
Mas como seria isto para um brasileiro,
um burajiru-jin, que não é nissei, nem é sansei?
Difícil! Muzukashii! Não sei.
Fukuzatsu! Complicado! Pensei.
Japonês é mesmo complicado sim!
Fukuzatsu! Outra vez, repetindo!
Tem tantos us, tantos ans, tantos is!
Se é gentílico, é um nihon-jin comedido.
Se é a língua ou idioma, é nihongo e pronto.
Para dizer amor é econômico, diz ai
Quando é o verbo amar é ai suru
Para juntar tudo e dizer meu amor,
As meninas falam watashi no ai,
Os meninos confessam ore no ai!
Quando é amigo, é nakama ou tomodachi.
Quando é irmão, é oniisan ou ani
Se for mais novo é otootosan
Se ele for um anjo é tenshi!
Se ele for ruim, então, é warui!
Já a palavra mãe, é sempre santidade.
É quase nome de orixá.
Pra dizer mãe, nihon-jin fala haha oya!
Parece saudação, nome de oração.
Quando fala do fundo da alma, que é shin.
É shinkou, é pura fé saída do coração,
No mais profundo sentimento, kimochi!
Mas nihon-jin sabe ser agradável, kimochi no ii.
Mesmo quando forte (tsuyoi), e com coragem (yuuki),
É tranqüilo (raku), faz messuras, mas não se dobra de fato.
Fixa nos lábios um sorriso bonito (bishoo kawaii),
Sorriso doce (amai) como açúcar, que em japonês é satoo!
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 22/09/08
domingo, 21 de setembro de 2008
Filho do mar
Você emergiu das águas ondulantes
Corpo elástico de olhos tesos
Mãos imensas de arpão e anzóis
Passos firmes, curso de nau ao vento
Coxas rasgando ondas obedientes
Como filho prateado, estrela do mar,
que sai do ventre de Janaína/Iemanjá.
Virei grão de areia esparramada
Congelei olhos fisgados fixos indefesos.
Quis ser concha, quis ser peixe
já preso em sua rede de fibras e músculos.
Ser gota generosa escorrendo de seu corpo.
Em nada acreditei se não em miragem,
zombaria, feitiço de Inaê que te fez
um odu mágico trazido dos rochedos
Magia de prata da imensidão do mar.
Para a definitiva imersão em mim.
Figura etérea para o meu mergulhar.
Submerso fiquei eu, guelras sem ar arfantes
Olhos ocultos em óculos seguindo o seu andar
Pajeando cada pegada marcada na areia
Perdido em cada centímetro seu
tatuado profundamente em mim para sempre.
Até seres apenas um vulto no horizonte,
deixando para trás eu e a brisa do mar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre – RS - 10/09/08
Você emergiu das águas ondulantes
Corpo elástico de olhos tesos
Mãos imensas de arpão e anzóis
Passos firmes, curso de nau ao vento
Coxas rasgando ondas obedientes
Como filho prateado, estrela do mar,
que sai do ventre de Janaína/Iemanjá.
Virei grão de areia esparramada
Congelei olhos fisgados fixos indefesos.
Quis ser concha, quis ser peixe
já preso em sua rede de fibras e músculos.
Ser gota generosa escorrendo de seu corpo.
Em nada acreditei se não em miragem,
zombaria, feitiço de Inaê que te fez
um odu mágico trazido dos rochedos
Magia de prata da imensidão do mar.
Para a definitiva imersão em mim.
Figura etérea para o meu mergulhar.
Submerso fiquei eu, guelras sem ar arfantes
Olhos ocultos em óculos seguindo o seu andar
Pajeando cada pegada marcada na areia
Perdido em cada centímetro seu
tatuado profundamente em mim para sempre.
Até seres apenas um vulto no horizonte,
deixando para trás eu e a brisa do mar.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre – RS - 10/09/08
Fotopoema
Para Silvana Stumpf
O olhar se posiciona atento,
ora errante, ora fixado.
Fica astuto, compenetrado
esperando o exato momento,
o derradeiro segundo de armar
retinas e lentes que se contraem
cúmplices, instantâneas,
no milésimo preciso de tudo captar.
Click! Pronto! Está feito!
Da imagem nasce um poema.
O dedo comprimindo o disparador
capta o instante eternizado.
Um rosto anônimo a esmo, ermo,
ora belo, ora rugas em tez marcadas.
Uma folha outonal caindo
que na foto tem o seu flutuar congelado.
Um reflexo de luz em águas agora
definitivamente calmas, imóveis.
Um beijo pelo amor roubado.
A ira de uma paixão desenfreada.
Um quadro nem tão belo do cotidiano,
por vezes mortal, por vez cruel, porém real,
agora imutável em imagem irreversível,
do ato, do objeto não mais fugaz e do humano.
A pose matemática exata geométrica
da modelo em incansáveis ângulos.
O aconchego da união familiar
perpetuando em porta-retratos cada geração,
em ascendências e descendências de
suas fotografias de afetos genéticos,
que preenchem estantes, entre livros
e velas em castiçais.
Tudo em pura poesia de imagens,
Ora tristes, ora felizes, ora radiantes.
Por vezes arquitetadas e detalhadas,
por vezes ocasionais, acaso de instantes.
Poemas de imagens captadas por
dedos, olhos, lentes e a mais pura
poesia de absoluta inspiração.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Para Silvana Stumpf
O olhar se posiciona atento,
ora errante, ora fixado.
Fica astuto, compenetrado
esperando o exato momento,
o derradeiro segundo de armar
retinas e lentes que se contraem
cúmplices, instantâneas,
no milésimo preciso de tudo captar.
Click! Pronto! Está feito!
Da imagem nasce um poema.
O dedo comprimindo o disparador
capta o instante eternizado.
Um rosto anônimo a esmo, ermo,
ora belo, ora rugas em tez marcadas.
Uma folha outonal caindo
que na foto tem o seu flutuar congelado.
Um reflexo de luz em águas agora
definitivamente calmas, imóveis.
Um beijo pelo amor roubado.
A ira de uma paixão desenfreada.
Um quadro nem tão belo do cotidiano,
por vezes mortal, por vez cruel, porém real,
agora imutável em imagem irreversível,
do ato, do objeto não mais fugaz e do humano.
A pose matemática exata geométrica
da modelo em incansáveis ângulos.
O aconchego da união familiar
perpetuando em porta-retratos cada geração,
em ascendências e descendências de
suas fotografias de afetos genéticos,
que preenchem estantes, entre livros
e velas em castiçais.
Tudo em pura poesia de imagens,
Ora tristes, ora felizes, ora radiantes.
Por vezes arquitetadas e detalhadas,
por vezes ocasionais, acaso de instantes.
Poemas de imagens captadas por
dedos, olhos, lentes e a mais pura
poesia de absoluta inspiração.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Sim e Não
Para a Baby (Cristina Petry)
Entre o Sim e o Não,
eu prefiro o Não!
Ele tem ressonância.
É quase um mantra!
Repitam comigo:
Nnnããããããooo…
Ãããããooouuuuuu…
Viram?
É o som do universo,
mesmo que seja o inverso do Sim.
O Sim é chinfrim. É concordância,
submissão, entrega.
Rangido: iiiiiimmmm…
Som de telefone, campanhia chata.
O Não é um desafio.
É contestação.
Rima com anão,
mas é forte, grande e másculo,
senão seria machim e não machão.
O Sim faz dos amantes unidos para sempre.
Mas quem rompe alianças e separa é o Não!
É o fim do que era para ser um eterno Sim!
O Sim facilita. Concede. Dá.
Mas é meio anti-viagra.
Até rola uma boa transa.
Mas é o Não que dá mais tesão,
pois é tentação!
O Mais ou Menos é bipolar.
Nem sabe se é Sim,
Nem sabe se é Não!
Pensa que é os dois,
mas, quando muito é assim, assim…
Ora é um, ora é outro, num só!
É um bêbado na contra-mão!
O Sim alivia. Perdoa.
É libertação de confissão.
O Não, não. Faz com que doa.
Educa. Impõem limitação.
E quando brabo rima com palavrão.
O Sim não, deixa a coisa solta, meio atoa,
se faz de surdo para fingir que é Não.
Se eu prefiro o Sim?
É claro que Não!
“Então? Não é?”
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Para a Baby (Cristina Petry)
Entre o Sim e o Não,
eu prefiro o Não!
Ele tem ressonância.
É quase um mantra!
Repitam comigo:
Nnnããããããooo…
Ãããããooouuuuuu…
Viram?
É o som do universo,
mesmo que seja o inverso do Sim.
O Sim é chinfrim. É concordância,
submissão, entrega.
Rangido: iiiiiimmmm…
Som de telefone, campanhia chata.
O Não é um desafio.
É contestação.
Rima com anão,
mas é forte, grande e másculo,
senão seria machim e não machão.
O Sim faz dos amantes unidos para sempre.
Mas quem rompe alianças e separa é o Não!
É o fim do que era para ser um eterno Sim!
O Sim facilita. Concede. Dá.
Mas é meio anti-viagra.
Até rola uma boa transa.
Mas é o Não que dá mais tesão,
pois é tentação!
O Mais ou Menos é bipolar.
Nem sabe se é Sim,
Nem sabe se é Não!
Pensa que é os dois,
mas, quando muito é assim, assim…
Ora é um, ora é outro, num só!
É um bêbado na contra-mão!
O Sim alivia. Perdoa.
É libertação de confissão.
O Não, não. Faz com que doa.
Educa. Impõem limitação.
E quando brabo rima com palavrão.
O Sim não, deixa a coisa solta, meio atoa,
se faz de surdo para fingir que é Não.
Se eu prefiro o Sim?
É claro que Não!
“Então? Não é?”
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 16/09/08
Palavras não ditas
É quando o silêncio persiste,
Ruidoso, incômodo e constante,
Que tudo pode virar o avesso do amor.
Corações antes num só coração
Se perdem em um vácuo errante
Das palavras perdidas por não ditas,
Sentimentos de feridas inexplicáveis.
Crescentes, enovelando-se confusas,
Pelas sílabas não pronunciadas,
De emoções incertas, difusas, retraídas.
Palavras amorosas fazem os amantes.
Palavras agregam, palavras separam.
Palavras abençoam, palavras condenam.
Palavras seduzem, palavras eternizam.
Quando ferinas magoam, mas dizem.
Revolvem emoções, que mesmo difusas,
Carregam acertos e desacertos.
Mas e as palavras não ditas?
São setas de alvo incerto, ignorado.
Desconstróem o amor sem desnudar.
Corróem o fascínio do não mistério.
Palavras não ditas distanciam.
Rompem laços, que mesmo tênues,
Envolvem e tecem o ato de amar.
Palavra não dita é veneno sem sabor,
Sem aroma, sem limites e sem cor.
Mudez corrosiva que dissolve
Toda a ternura que um dia se
Traduziu na simples palavra amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 12/09/08
É quando o silêncio persiste,
Ruidoso, incômodo e constante,
Que tudo pode virar o avesso do amor.
Corações antes num só coração
Se perdem em um vácuo errante
Das palavras perdidas por não ditas,
Sentimentos de feridas inexplicáveis.
Crescentes, enovelando-se confusas,
Pelas sílabas não pronunciadas,
De emoções incertas, difusas, retraídas.
Palavras amorosas fazem os amantes.
Palavras agregam, palavras separam.
Palavras abençoam, palavras condenam.
Palavras seduzem, palavras eternizam.
Quando ferinas magoam, mas dizem.
Revolvem emoções, que mesmo difusas,
Carregam acertos e desacertos.
Mas e as palavras não ditas?
São setas de alvo incerto, ignorado.
Desconstróem o amor sem desnudar.
Corróem o fascínio do não mistério.
Palavras não ditas distanciam.
Rompem laços, que mesmo tênues,
Envolvem e tecem o ato de amar.
Palavra não dita é veneno sem sabor,
Sem aroma, sem limites e sem cor.
Mudez corrosiva que dissolve
Toda a ternura que um dia se
Traduziu na simples palavra amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 12/09/08
Éramos assim
A cada passo havia um espaço de sonhos perfeitos.
A cada espaço havia um turbilhão de conflitos afins.
A cada solidão um sorriso, um gesto,
E a inviolável decisão de permanecermos assim.
Havia o beijo e o aconchego de um colo adormecido,
A indefinível insegurança de um sentimento oculto.
A beleza e o toque do corpo, a nossa vibração em
Cada centímetro de pele decifrado. Devorado.
O arrepio…
A cada outro dia a lembrança do teu cheiro, dos teus lábios,
E a memória encravada do teu corpo agora distante.
A ausência, um vazio no tempo, sensação de perda
Corroendo a pele, apertando o coração,
Percorrendo veias, células e sinapses ardentes.
A cada rompimento uma nova solidão.
O desaconchego…
A cada recomeçar um reinício do fim.
Pois éramos assim: cíclicos, miragens, reflexos de almas
De emoções incandescentes, reversas e convexas.
Assim seguiamos nos amando cada um do seu jeito.
Até que tudo se desconstruísse e o que era tão presente
Tornava-se um passado imperfeito de revivências.
Estávamos novamente desconectados. Desconvexos.
E os olhos que destilassem o que não mais havia de lágrimas.
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
A cada passo havia um espaço de sonhos perfeitos.
A cada espaço havia um turbilhão de conflitos afins.
A cada solidão um sorriso, um gesto,
E a inviolável decisão de permanecermos assim.
Havia o beijo e o aconchego de um colo adormecido,
A indefinível insegurança de um sentimento oculto.
A beleza e o toque do corpo, a nossa vibração em
Cada centímetro de pele decifrado. Devorado.
O arrepio…
A cada outro dia a lembrança do teu cheiro, dos teus lábios,
E a memória encravada do teu corpo agora distante.
A ausência, um vazio no tempo, sensação de perda
Corroendo a pele, apertando o coração,
Percorrendo veias, células e sinapses ardentes.
A cada rompimento uma nova solidão.
O desaconchego…
A cada recomeçar um reinício do fim.
Pois éramos assim: cíclicos, miragens, reflexos de almas
De emoções incandescentes, reversas e convexas.
Assim seguiamos nos amando cada um do seu jeito.
Até que tudo se desconstruísse e o que era tão presente
Tornava-se um passado imperfeito de revivências.
Estávamos novamente desconectados. Desconvexos.
E os olhos que destilassem o que não mais havia de lágrimas.
Porto Alegre, 14/09/08
Roberto Corrêa Gomes
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