sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Pêndulos da Vida
Ponteiros errantes que não param
Em horas fugidias sorrateiras.
Olho-as de soslaio enquanto passam
Em trilhos e estradas sem beiras.
Trem de vidas em remendos cerzidas.
Almas em rios caudalosos, viscosos.
Almas em mosaicos desconstruídos.
Olho-as horas em mim transpassadas.
Oscilantes nos pêndulos dos destinos,
Da balança cósmica que rege as vidas,
De karmas em causas, acasos e efeitos.
Sob os olhos vítreos fixos de Anúbis.
Supremo Regente da Boa Lei,
Que cerra as portas aos indignos.
Mas abre-as a pedintes e mendigos,
Que oram em preces de arrependimento.
A vida só tem mistérios…
É um balançar de incertezas,
Em um jogo sem fim de espirais e caracóis
Dos oito caminhos lunares de Krishna.
Pêndulos eternos de muitas eras.
Essências contruídas em 108 existências,
Das 108 voltas bramânicas sagradas,
Ciclo das 108 contas do colar de Buda.
A vida só tem mistérios…
Mistérios perseguidos em avataras
Milagres das encarnações de Vishnu.
Sinais de deuses, profetas e apóstolos.
Olho-as em vidas passadas em mim,
Corpo de carne, artérias, ossos e medos.
Fragmentos de signos e mistérios frágeis,
Perdidos em algum chão no reino de Deus.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 08/10/08
Ponteiros errantes que não param
Em horas fugidias sorrateiras.
Olho-as de soslaio enquanto passam
Em trilhos e estradas sem beiras.
Trem de vidas em remendos cerzidas.
Almas em rios caudalosos, viscosos.
Almas em mosaicos desconstruídos.
Olho-as horas em mim transpassadas.
Oscilantes nos pêndulos dos destinos,
Da balança cósmica que rege as vidas,
De karmas em causas, acasos e efeitos.
Sob os olhos vítreos fixos de Anúbis.
Supremo Regente da Boa Lei,
Que cerra as portas aos indignos.
Mas abre-as a pedintes e mendigos,
Que oram em preces de arrependimento.
A vida só tem mistérios…
É um balançar de incertezas,
Em um jogo sem fim de espirais e caracóis
Dos oito caminhos lunares de Krishna.
Pêndulos eternos de muitas eras.
Essências contruídas em 108 existências,
Das 108 voltas bramânicas sagradas,
Ciclo das 108 contas do colar de Buda.
A vida só tem mistérios…
Mistérios perseguidos em avataras
Milagres das encarnações de Vishnu.
Sinais de deuses, profetas e apóstolos.
Olho-as em vidas passadas em mim,
Corpo de carne, artérias, ossos e medos.
Fragmentos de signos e mistérios frágeis,
Perdidos em algum chão no reino de Deus.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 08/10/08
sábado, 18 de outubro de 2008
Céu de Girassóis
Um dia um clarão roubou nossas flores.
Luz intensa que, inesperada, ofuscou
a vida e deixou árido o nosso jardim.
Foram-se a rosa, o lírio, a azaléia, o jasmim.
Sumiram besouros, borboletas, abelhas.
Nenhum ramo, nenhuma pétala restou.
Mas a noite e o dia deram voltas.
E o mundo girou para um outro dia,
para uma nova criação, um recomeço.
Da saudade nasceu o cravo.
Da paixão recriou-se a rosa.
Da altivez renasceu a azaléia.
Da delicadeza fez-se um lírio.
Do suspiro emanou o jasmim.
Da dignidade brotou um girassol.
Com o girassol voltaram as borboletas,
os besouros, as abelhas, os beija-flores.
E de seu néctar outros girassóis nasceram,
iluminando campos, pradarias e jardins.
Amarelos aos milhares cultivando a vida,
olhando o céu, juntos perseguindo o sol.
Belos e altivos como anjos de auréolas em flor.
E os campos ficaram repletos de aromas,
de sons, de cores, de criaturas de Deus.
Brilhantes e reluzentes como estrelas,
em um eterno e magnífico céu de girassóis.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/10/08
Um dia um clarão roubou nossas flores.
Luz intensa que, inesperada, ofuscou
a vida e deixou árido o nosso jardim.
Foram-se a rosa, o lírio, a azaléia, o jasmim.
Sumiram besouros, borboletas, abelhas.
Nenhum ramo, nenhuma pétala restou.
Mas a noite e o dia deram voltas.
E o mundo girou para um outro dia,
para uma nova criação, um recomeço.
Da saudade nasceu o cravo.
Da paixão recriou-se a rosa.
Da altivez renasceu a azaléia.
Da delicadeza fez-se um lírio.
Do suspiro emanou o jasmim.
Da dignidade brotou um girassol.
Com o girassol voltaram as borboletas,
os besouros, as abelhas, os beija-flores.
E de seu néctar outros girassóis nasceram,
iluminando campos, pradarias e jardins.
Amarelos aos milhares cultivando a vida,
olhando o céu, juntos perseguindo o sol.
Belos e altivos como anjos de auréolas em flor.
E os campos ficaram repletos de aromas,
de sons, de cores, de criaturas de Deus.
Brilhantes e reluzentes como estrelas,
em um eterno e magnífico céu de girassóis.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 17/10/08
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
El abrazo tuyo
-----------------------------------------------
O teu abraço
Mais nada queria eu senão o teu abraço.
Que forte, intenso, sereno, me abarcasse,
Ocupando em mim todo o meu espaço,
Meus problemas, meus sonhos, minh’alma.
Braços ternos acalmando os meus sentidos.
Braços longos, de desejos imaginários,
Que me transportassem no tempo, no ar,
Arrebatando-me das profundezas de mim,
Para uma imensidão oceânica de silêncios,
Zunidos de conchas suaves em meus ouvidos.
Braços com tez de algas macias, sedosas,
Colados em mim como uma segunda pele.
Escudos amorosos afastando meus medos,
Meus receios, meus pesadelos sem fim.
Envolvendo-me, assim, mágicos e eternos,
Até o meu mais completo adormecer.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 05/10/08
Para José y Gabriela
Nada más deseaba sino un abrazo tuyo.
Que fuerte, intenso, sereno, me abarcase,
Ocupando en mí todo mis espacios,
Mis problemas, mis sueños, mi alma.
Brazos con ternura calmando mis sentidos.
Brazos largos, de deseos imaginarios,
Que me transportasen en el tiempo, en el aire,
Arrebatandome en toda mi profundidad,
Hasta una inmensidad de un océano de silencios,
Sonidos de conchas suaves en mis oídos.
Brazos con tez de algas huecas, sedosas,
Agarrados en mí como una segunda piel.
Escudos amorosos alejando mis miedos,
Mis recelos, mis pesadillas sinfin.
Envólviendome, así, mágicos y eternos,
Hasta el mi más completo adormecer.
Roberto Corrêa Gomes
(Traducción - Español en 11/10/08
Revisión: José Urdapilleta)
Nada más deseaba sino un abrazo tuyo.
Que fuerte, intenso, sereno, me abarcase,
Ocupando en mí todo mis espacios,
Mis problemas, mis sueños, mi alma.
Brazos con ternura calmando mis sentidos.
Brazos largos, de deseos imaginarios,
Que me transportasen en el tiempo, en el aire,
Arrebatandome en toda mi profundidad,
Hasta una inmensidad de un océano de silencios,
Sonidos de conchas suaves en mis oídos.
Brazos con tez de algas huecas, sedosas,
Agarrados en mí como una segunda piel.
Escudos amorosos alejando mis miedos,
Mis recelos, mis pesadillas sinfin.
Envólviendome, así, mágicos y eternos,
Hasta el mi más completo adormecer.
Roberto Corrêa Gomes
(Traducción - Español en 11/10/08
Revisión: José Urdapilleta)
-----------------------------------------------
O teu abraço
Mais nada queria eu senão o teu abraço.
Que forte, intenso, sereno, me abarcasse,
Ocupando em mim todo o meu espaço,
Meus problemas, meus sonhos, minh’alma.
Braços ternos acalmando os meus sentidos.
Braços longos, de desejos imaginários,
Que me transportassem no tempo, no ar,
Arrebatando-me das profundezas de mim,
Para uma imensidão oceânica de silêncios,
Zunidos de conchas suaves em meus ouvidos.
Braços com tez de algas macias, sedosas,
Colados em mim como uma segunda pele.
Escudos amorosos afastando meus medos,
Meus receios, meus pesadelos sem fim.
Envolvendo-me, assim, mágicos e eternos,
Até o meu mais completo adormecer.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 05/10/08
sábado, 4 de outubro de 2008
Luzes do amor
Vejo as luzes da cidade de minha janela.
Qual delas ilumina você agora?
Em qual vagalume da noite você brilha?
Penso eu, reflexo de janela que há em mim.
Sou fresta acesa que reluz lá fora.
Aberta à noite que é chama ardente,
queimando em incenso de jasmin.
Aroma do calor de minha pele em espera,
na espreita da luz que está em ti.
Mas tantas brilham enquanto as vejo.
Que uma a uma eu busco com ardor.
E quanto mais nelas te procuro,
mais me confundo, pois me perco no amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 04/10/08
Vejo as luzes da cidade de minha janela.
Qual delas ilumina você agora?
Em qual vagalume da noite você brilha?
Penso eu, reflexo de janela que há em mim.
Sou fresta acesa que reluz lá fora.
Aberta à noite que é chama ardente,
queimando em incenso de jasmin.
Aroma do calor de minha pele em espera,
na espreita da luz que está em ti.
Mas tantas brilham enquanto as vejo.
Que uma a uma eu busco com ardor.
E quanto mais nelas te procuro,
mais me confundo, pois me perco no amor.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 04/10/08
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Espelho
Eu não sou imagem de um só
no espelho em que me revelo.
Sou fragmentos de vidros, em um nó
de mil reflexos emaranhados.
Facetas de prismas e névoas
de difusas miragens de meu rosto.
Mas há alguém por de trás deste espelho
que não mostro nem a mim mesmo.
Nele sou um outro que não eu.
Um outro de olhar inquiridor.
Um outro de olhar reprimido.
Um outro que busca quem sou.
Mas ainda atrás deste espelho, oculto,
há mais alguém entre eu e o outro.
Um rosto que é mistério e vulto.
Ele também não sabe quem é ele
na imagem embaçada entre eu e o outro.
Para ele, sou côncavo e o outro convexo.
Mas somos apenas raios luminosos
de trajetórias angulares de nosso reflexo.
Na verdade não queremos respostas.
Apenas nos miramos uns aos outros.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 03/10/08
Eu não sou imagem de um só
no espelho em que me revelo.
Sou fragmentos de vidros, em um nó
de mil reflexos emaranhados.
Facetas de prismas e névoas
de difusas miragens de meu rosto.
Mas há alguém por de trás deste espelho
que não mostro nem a mim mesmo.
Nele sou um outro que não eu.
Um outro de olhar inquiridor.
Um outro de olhar reprimido.
Um outro que busca quem sou.
Mas ainda atrás deste espelho, oculto,
há mais alguém entre eu e o outro.
Um rosto que é mistério e vulto.
Ele também não sabe quem é ele
na imagem embaçada entre eu e o outro.
Para ele, sou côncavo e o outro convexo.
Mas somos apenas raios luminosos
de trajetórias angulares de nosso reflexo.
Na verdade não queremos respostas.
Apenas nos miramos uns aos outros.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 03/10/08
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Estrelas cintilam no céu
Estrela-mãe.
Estrela-Sol.
Estrela viva.
Estrela-do-mar.
Estrela da sorte.
Estrela de Belém,
Estrela-guia, anunciação de Reis Magos viajantes.
Estrela divina nascida em manjedoura.
Estrela de Davi.
Estrela d’Alva, Vênus, vésper do entardecer,
Estrela-primeira no céu de anil.
Estrela do Pastor.
Estrelas no firmamento do Brasil.
Estrela-cadente, meteoro que não é estrela.
Estrelas, células de galáxias errantes sempre a crescer,
Pilares da Criação nos milagres de Deus.
Estrelas-d’água.
Estrelas de cinco pontas,
Estrelas dos Orixás, de Oxalá e Yemanjá,
Estrelas iluminadas vindas de Aruanda.
Estrelas que giram em nebulosas sem fim.
Estrela que pelo universo anda.
Estrelas vermelhas japonesas.
Estrelas européias em círculo de união.
Estrela corpo celeste de plasma luminoso.
Estrelas de neutrinos em ventos estelares soprados.
Estrelas em inúmeros trilhões de pontos de luz.
Estrelas encravadas na memória e da vida roubadas
Estrelas nascentes luzídias, duas em almas-mater-uterina interrompidas.
Estrelas da saudade, 199 eternas e em intensas cintilâncias,
Estrelas multicoloridas em corações tatuadas.
Estrelas que, agora calmas, cintilam no céu,
Iluminando para sempre as nossas almas.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 25/09/08
Estrela-mãe.
Estrela-Sol.
Estrela viva.
Estrela-do-mar.
Estrela da sorte.
Estrela de Belém,
Estrela-guia, anunciação de Reis Magos viajantes.
Estrela divina nascida em manjedoura.
Estrela de Davi.
Estrela d’Alva, Vênus, vésper do entardecer,
Estrela-primeira no céu de anil.
Estrela do Pastor.
Estrelas no firmamento do Brasil.
Estrela-cadente, meteoro que não é estrela.
Estrelas, células de galáxias errantes sempre a crescer,
Pilares da Criação nos milagres de Deus.
Estrelas-d’água.
Estrelas de cinco pontas,
Estrelas dos Orixás, de Oxalá e Yemanjá,
Estrelas iluminadas vindas de Aruanda.
Estrelas que giram em nebulosas sem fim.
Estrela que pelo universo anda.
Estrelas vermelhas japonesas.
Estrelas européias em círculo de união.
Estrela corpo celeste de plasma luminoso.
Estrelas de neutrinos em ventos estelares soprados.
Estrelas em inúmeros trilhões de pontos de luz.
Estrelas encravadas na memória e da vida roubadas
Estrelas nascentes luzídias, duas em almas-mater-uterina interrompidas.
Estrelas da saudade, 199 eternas e em intensas cintilâncias,
Estrelas multicoloridas em corações tatuadas.
Estrelas que, agora calmas, cintilam no céu,
Iluminando para sempre as nossas almas.
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 25/09/08
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Ura nihongo de
(Versos em japonês)
(Versos em japonês)
Para Edu Sato, “ore no otootosan”
Pensei em escrever versos em japonês.
Mas como seria isto para um brasileiro,
um burajiru-jin, que não é nissei, nem é sansei?
Difícil! Muzukashii! Não sei.
Fukuzatsu! Complicado! Pensei.
Japonês é mesmo complicado sim!
Fukuzatsu! Outra vez, repetindo!
Tem tantos us, tantos ans, tantos is!
Se é gentílico, é um nihon-jin comedido.
Se é a língua ou idioma, é nihongo e pronto.
Para dizer amor é econômico, diz ai
Quando é o verbo amar é ai suru
Para juntar tudo e dizer meu amor,
As meninas falam watashi no ai,
Os meninos confessam ore no ai!
Quando é amigo, é nakama ou tomodachi.
Quando é irmão, é oniisan ou ani
Se for mais novo é otootosan
Se ele for um anjo é tenshi!
Se ele for ruim, então, é warui!
Já a palavra mãe, é sempre santidade.
É quase nome de orixá.
Pra dizer mãe, nihon-jin fala haha oya!
Parece saudação, nome de oração.
Quando fala do fundo da alma, que é shin.
É shinkou, é pura fé saída do coração,
No mais profundo sentimento, kimochi!
Mas nihon-jin sabe ser agradável, kimochi no ii.
Mesmo quando forte (tsuyoi), e com coragem (yuuki),
É tranqüilo (raku), faz messuras, mas não se dobra de fato.
Fixa nos lábios um sorriso bonito (bishoo kawaii),
Sorriso doce (amai) como açúcar, que em japonês é satoo!
Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre, 22/09/08
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