sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Olhos de água-marinha

Adivinho teus olhos misteriosos como quem explora pergaminhos. Ora enigmáticos, ora levados às marés, ora pontos de estrelas de mar profundo onde sou náufrago submerso em braços inertes. Imerso, navego em teus segredos ao arrepio de ondas incertas, pois incertos são os nossos caminhos. Adivinho teus olhos de sedução, como cantos de sereias que desatinam os afogados. Mergulho de corpo inteiro no azul desse teu olhar, onde perdido sei estar, emaranhado em redes, desaparecido para sempre em sua imensidão. Não há mais porto, não há mais rochedos, apenas o intenso flutuar de meus sentidos presos, exaustos, arfantes, ao teu jocoso e sensual olhar. Adivinho teus olhos mágicos, como quem busca o eterno amar. Olhos feiticeiros, contas de água-marinha azuis brilhantes de Olokun, regente do mar, retirando em bolhas todo o meu fôlego, quando desaprendo a respirar. E o que era para sempre vira o meu fim, onde para tudo já é tarde demais. E de eterno só o azul do mar preso nesse teu enigmático olhar. Tão difícil te traduzir, por isso, a mim, me resta apenas adivinhar...

Seus olhos verdes

Seus olhos verdes fascinam Nem sei o que pode acontecer Mas o que eles me dizem É que há algo entre eu você. Seus olhos verdes revelam Coisas que nem posso dizer Sinto que me hipnotizam Prendendo-me até eu me perder. Nenhuma palavra ou gesto falam tão alto assim Contam histórias tão ternas gravadas bem dentro de mim. Seus olhos feito esmeraldas Me assustam e me fazem tremer Verdes brilhantes evocam tudo o que eu amo em você. Seus olhos verdes me guiam Me levam por caminhos a lhe seguir Sinto que não tenho mais volta Mas tudo o que eu mais quero pedir É que me ames e me deixes viver só pra você. (Roberto Corrêa Gomes)

Insônia

Insônia que mulher és tu que me persegues? Se ainda eu vagasse noites afora por paixão? Mas não. És mulher que me rouba o sono, me deixas irrequieto, rolando na cama em vão. Teu nome é Insônia, mas poderias te chamar Serena, Rosa, Violeta, Jasmin ou qualquer outro nome de flor. Assim darias as minhas noites despertas o aroma do ardor. Ou quem sabe te chamasses Alma! Dando-me a paz de espírito e aqueciendo minhas minhas noites, trazendo uma prazeirosa calma para dentro de mim. Mas se é assim que te chamas, deita-te então ao meu lado, Afagues meus cabelos, embale-mes em sonhos não sonhados ou pelo menos conte-me histórias, pois assim, talvez, quando te distraias, eu possa, enfim, adormecer... (Roberto Corrêa Gomes - 2h09min da madruga...)

Marinheiro

Ei marinheiro quando vais voltar? Te espero por dias inteiros Sem tirar os olhos do mar Mar que sei que é teu amor primeiro Mas que não guarda no coração Todo amor que tenho para ti dar. A cada vulto de embarcação Que desponta no fim do meu olhar Agita meu apaixonado coração Que não cansa de te esperar. Vigio ansiosa por dias a fio Para nos meus braços te aninhar. Ei marinheiro quando vais voltar? Aqui tens tua cama macia, meu corpo quente E meu porto aberto para que possas ancorar Pois nem as marés, nem os ventos, Nem a imensidão traiçoeira das águas Tem as profundezas do meu amar. Sou tua guardiã, sou tua ventania, sou tua sereia, Sou mulher de marinheiro, meu navegante, Marujo tatuado na minha pele inteira Ondas de desejo sempre a me queimar Por meu homem que faz da barca sua amante Mas que tem em mim seu farol para de volta lhe guiar. Ei marinheiro quando vais voltar? (Roberto Corrêa Gomes)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Amo-te porque te amo

Não sei se te amo por que acho
Não sei se te amo por que te encontrei
Te amo porque amo-te
Amo teus tropeços, teus desavessos
Te amo do avesso
Te amo em suspenso
Te amo flutuando no ar como um beija-flor
Te amo porque amo-te
Amo teus complexos
Amo teus reversos
Te amo direito
Te amo esquerdo
Amo-te de cima a baixo
Te amo porque amo-te
Amo teu riso, respiro teu sorriso
Te amo sem aviso, sem saber por quê
Te amo como velas ao mar
Te amo me entregando as marés do teu humor
Pois amo-te sem medo, te amo sem temor
Não sei se te amo por que acho
Não sei se te amo por que te encontrei
Amo-te porque te amo.

Roberto Corrêa Gomes
Porto Alegre. 03/10/2011
Dedicado ao meu filho Yuri.

Exercício a lápis de cor

Exercício a lápis de detalhe de um Ignudi de Michelangelo

Exercício a lápis

Exercício a lápis

Exercício a lápis de detalhe da Sibila Delfos de Michelangelo